Conceito de Tireoidite de Hashimoto :

A Tireoidite de Hashimoto (TH), descrita por Hakaru Hashimoto em 1912, é a forma mais comum de tireoidite e uma causa frequente de hipotireoidismo.

 

Epidemiologia da Tireoidite de Hashimoto:

A prevalência global da Tireoidite de Hashimoto varia de 0,3 a 1,5 por 1.000 indivíduos, sendo mais comum em mulheres (5 a 20 vezes mais frequente). O pico de incidência ocorre entre 40 e 60 anos.

 

Fatores de Risco da Tireoidite de Hashimoto:

  1. Intrínsecos:
  • Genética: Maior risco em irmãos e gêmeos monozigóticos. Genes como CTLA4 e PTPN22 são relevantes.
  • Idade: Autoanticorpos tireoidianos aumentam com a idade.
  • Sexo: Mais comum em mulheres, possivelmente devido a fatores hormonais.
  1. Extrínsecos:
  • Iodo: Excesso pode desencadear TH em indivíduos suscetíveis.
  • Selênio: Deficiência associada a características da TH.
  • Vitamina D: Níveis baixos ligados a anti-TPO elevados.
  • Infecções e Radiação: Podem desencadear a doença.

 

Patogênese da Tireoidite de Hashimoto:

A patogênese da Tireoidite de Hashimoto envolve a ativação anormal dos linfócitos T, resultando na produção de autoanticorpos contra antígenos tireoidianos e na destruição do tecido tireoidiano. A molécula CTLA 4 desempenha um papel crucial na regulação negativa da ativação dos linfócitos T.

 

Diagnóstico:

  1. Manifestações Clínicas:

A maioria dos pacientes é assintomática, e o diagnóstico é geralmente feito através de exames de rotina ou pela presença de um bócio discreto. O hipotireoidismo é a queixa inicial em 10 a 20% dos casos.

 

  1. Exames Laboratoriais:

A principal característica laboratorial é a presença de anticorpos anti-TPO, encontrados em títulos elevados na maioria dos pacientes. A dosagem de anticorpos anti-TG não é rotineiramente indicada. Níveis de FT4 e TSH variam de acordo com o estado de função tireoidiana do paciente.

 

  1. Histopatologia:

A Tireoidite de Hashimoto é caracterizada por um infiltrado de linfócitos, plasmócitos e macrófagos no parênquima tireoidiano, com graus variáveis de atrofia e fibrose.

 

Considerações Finais:

O diagnóstico diferencial da Tireoidite de Hashimoto deve sempre ser considerado em pacientes com hipotireoidismo primário ou bócio difuso atóxico, e a presença de anticorpos anti-TPO em títulos elevados confirma o diagnóstico.

Fonte: VILAR, Lucio. Endocrinologia Clínica. 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020.