Saber aplicar o exame psíquico é fundamental para você que, mesmo não sendo psiquiatra, atende pacientes com transtornos mentais. Por isso, neste texto, trabalharemos de forma prática e resumida a súmula do exame psíquico, exemplificando as funções psíquicas de maior importância. Boa leitura e bons estudos!

Por que todo médico precisa (mais do que nunca) saber Psiquiatria? 

  • Súmula do exame psíquico

   O exame psíquico é a ferramenta médica para examinar o estado mental do paciente. Ele avalia as diversas funções psíquicas a seguir, que fazem parte da súmula do exame psíquico: consicência, apresentação, atitude, atenção, orientação, humor, afeto, pensamento, sensopercepção, psicomotricidade, memória, volição, pragmatismo e crítica.

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  • Exame psíquico na prática: como avaliar as funções psíquicas

 

                                               

1) Consciência

   Algumas correntes psiquiátricas dividem a avaliação da consciência em dois eixos principais: o vertical e o horizontal.

- Eixo vertical: diretamente ligado ao status neurológico. O paciente pode estar: vigil, sonolento, em estupor ou em coma.

- Eixo horizontal: relacionado ao campo vivencial do paciente, que pode estar alargado, estreitado ou normal.

   -> Exemplo (depressão): vigil, com campo vivencial estreitado.

2) Apresentação

   Corresponde a descrição física do paciente, a forma como ele se apresenta na consulta. Deve-se descrever com detalhes a roupa, presença ou não de adornos, cabelos, higiene e autocuidado do paciente.

   -> Exemplo (mania bipolar): Paciente apresenta-se com vestes inadequadas para consulta, usando jaqueta rosa e salto alto. Maquiagem exuberante, rica em adornos, usando óculos de sol no consultório. Higiene e autocuidado preservados.

3) Atitude

   Corresponde à postura do paciente durante a avaliação. São descrições possíveis: paciente cooperativo, agitado, ansioso, arrogante, altivo, desconfiado, amedrontado, apático, irritado, entre outros.

4) Atenção

   Divide-se a atenção em duas análises:

- Tenacidade (capacidade em manter o foco em uma conversa/tarefa): o paciente pode estar hipo/normo/hipertenaz.

- Vigilância (se refere a atenção prestada a estímulos do ambiente): o paciente pode estar hipo/normo/hipervigil.

   -> Exemplo (TDAH): paciente hipotenaz e hipervigil.

5) Orientação

   Também é dividida em duas análises:

- Autopsíquica: o indivíduo sabe se identificar (nome, idade, profissão, familiares, entre outros).

- Alopsíquica: o indivíduo sabe identificar tempo, espaço/ambiente.

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6) Humor

   Corresponde ao “clima” do paciente, ao “pano de fundo” que norteia seus pensamentos, comportamentos e ambições.

   Em ordem decrescente, o indivíduo se encaixa no seguinte espectro: mania, hipomania, eutimia ou hipotimia.

   -> Exemplos: pacientes com TAB podem apresentar mania ou hipomania, enquanto um paciente depressivo geralmente se apresenta hipotímico.

7) Afeto

   O afeto é entendido a partir da análise das emoções do indivíduo em relação a sua fala e aos estímulos externos. Ele é avaliado sob 3 critérios:

- Congruência: avalia se a emoção expressa está congruente com o conteúdo da fala do paciente. Neste aspecto, o paciente pode ser congruente ou incongruente.

- Modulação: corresponde à capacidade que o indivíduo tem de oscilar/modular suas emoções. Neste critério, o paciente pode estar hipo/normo/hipermodulado. Exemplo: imagine um paciente dramático, que vive intensamente suas emoções e as demonstra com exuberância. Podemos considerar que esse paciente apresenta afeto hipermodulado.

- Ressonância: corresponde à capacidade que o indivíduo tem de reagir de acordo com o estímulo externo, geralmente feito pelo médico entrevistador. Neste ponto, o paciente pode ser hipo/normo/hiperressonante.

8) Pensamento

   A análise do pensamento é um ponto complexo do exame psíquico, que leva a diversas discussões. Porém, como o objetivo deste texto é ser resumido e objetivo, vamos apenas citar os principais pontos do tema.

   O pensamento também é avaliado sob 3 critérios:

- Curso: corresponde a velocidade de pensamento do paciente, que pode estar lentificado, normal ou acelerado.

- Forma: avalia a maneira como as frases e ideias se conectam no discurso. Aqui, o paciente pode apresentar inúmeras alterações, como a arborização de ideias, fuga de ideias, frouxidão associativa/desagregação do pensamento, perseveração, prolixidade, entre outros.

- Conteúdo: avalia a ideia, o tema do discurso do paciente. Aqui também há inúmeras possíveis alterações, dentre as quais destacamos: ideias prevalentes, ideias delirantes (e suas várias apresentações), ideias obsessivas, entre outras.

9) Sensopercepção

   Avalia se o paciente tem alterações do sistema sensório. Neste critério, o paciente pode apresentar alucinações visuais, auditivas, olfatórias, gustativas e/ou táteis.

10) Psicomotricidade

   Neste ponto, o paciente é avaliado conforme seu padrão de comportamento corpóreo. São alterações da psicomotricidade: hipocinesia, hipercinesia, frangofilia, tiques, estereotipias e maneirismos.

11) Memória

   Também é avaliada em 3 critérios: memórias imediata, de evocação e remota. Esta função psíquica pode ser avaliada durante o diálogo da entrevista psíquica ou mesmo por meio de testes como o Mini Mental.

12) Volição e Pragmatismo

   A volição (ou energia volitiva) corresponde à vontade que o indivíduo tem de viver, realizar suas ambições e concluir seus projetos. Neste ponto, o paciente pode apresentar volição normal, hiperbulia ou hipobulia.

   -> Exemplo (mania bipolar): paciente hiperbúlico.

   Já o pragmatismo corresponde a forma como o indivíduo vai alcançar tais ideias e projetos. Sendo assim, um indivíduo que tem grandes alvos/objetivos, mas que não apresenta um plano claro e tangível para alcançá-los, pode ser descrito como hiperbúlico, com pragmatismo prejudicado.

13) Crítica/noção da doença

   O título é autoexplicativo. Neste ponto, avalia-se o quanto o paciente conhece sua real situação de saúde mental. O indivíduo pode apresentar-se com crítica preservada ou prejudicada.

  • Considerações finais

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