É um consenso popular que quando há uma criança prostada e desanimada, um alerta vermelho deve ser ligado. Para nós médicos, quando nos deparamos com uma criança prostada que apresenta dor e edema nas articulações, o alerta de uma possível artrite deve ser ligado! Então, a Faculdade CENBRAP preparou este texto para atualizar você sobre o diagnóstico e tratamento atualizados da Artrite aguda.

Neste texto, você encontrará:

- Definição

- Epidemiologia

- Etiologia

- Diagnóstico

- Tratamento

Se informe com o CENBRAP! Boa leitura.

 

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Definição da Artrite aguda:

A artrite aguda é a inflamação da articulação (podendo acometer uma ou mais articulações) acompanhado de dor, inchaço e limitação dos movimentos, ocorrendo frequentemente após infecções, com duração menor que 6 semanas, e resolvendo espontaneamente na maioria dos casos.

Obs: Adicionalmente, traremos o conceito de artrite séptica e artrite reativa.

- Artrite séptica: é a infecção da membrana sinovial, sendo considerada uma emergência médica. Onde há uma infecção bacteriana articular que possui origem por disseminação hematogênica, penetração direta através da pele ou disseminação contígua de tecidos adjacentes.

- Artrite reativa: é a inflamação aguda e asséptica das articulações, ocorrendo durante infecções, mas sem proliferação de microrganismos. Historicamente denominada de Síndrome de Reiter, é tríade sindrômica formada por uretrite, conjuntivite e artrite.

 

Epidemiologia da Artrite aguda:

A artrite aguda acomete todas as faixas etárias pediátricas, do neonato ao adolescente, podendo a etiologia variar de acordo com a idade, mas não há um predomínio claro do sexo na artrite aguda. A artrite de causa infecciosa é mais frequente em meninos.

 

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Etiologia da Artrite aguda:

Muitas são as causas da artrite aguda, entre elas destacamos:

- Infecção direta na articulação ou no osso próximo da articulação;

- Infecção à distância, ocorrendo no intestino, infecção urinária, faringite;

- Diversas síndromes respiratórias, entre elas a gripe (influenza) e o novo coronavírus (SARS-CoV-2) causando artralgia e mialgia;

- Doenças exantemáticas da criança como por exemplo a rubéola;

- Além do coronavírus, diversas outras doenças viróticas como as diversas hepatite, a dengue e a infecção Zika;

- Casos mais graves como algumas neoplasias que se manifestam primeiramente como quadros de artralgia;

 

A seguir, traremos um quadro com os principais patógenos relacionados a artrite aguda:

 

Para o diagnóstico da Artrite aguda, muitas vezes são necessários:

- Exame de sangue, para verificar a inflamação e a infecção;

- Sorologias específicas quando houver sinais indicativos de infecções virais ou risco de contaminação em situações epidêmicas;

- Quando a cultura vir negativa: teste com PCR no líquido sinovial, sendo a proteína C reativa o melhor biomarcador durante o seguimento;

- A artrocentese e a cultura do líquido sinovial aspirado quando há suspeita de artrite séptica;

- Exames de imagem como radiografias e ultrassom podem ser necessários para identificar o derrame e guiar a punção quando necessário. A ressonância magnética indica mais precisamente o local comprometido;

- A ultrassonografia musculoesquelética vem se tornando uma ferramenta mais acessível e segura, constituindo o principal exame de imagem nas artrites agudas do neonato ao adolescente, sobretudo quando houver acometimento dos quadris.

- A artrocentese e a cultura do líquido sinovial aspirado quando há suspeita de artrite séptica.

- O mielograma deve ser sempre realizado na dúvida diagnóstica com as leucemias, e em especial, quando o uso de corticosteroides for indicado;

- Tomografia por emissão de pósitrons e ressonância magnética (PET/RM), PET associada à tomografia computadorizada (PET/TC) ou ressonância magnética de corpo inteiro, como método de rastreamento de neoplasias.

 

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Tratamento da Artrite aguda:

Obs.: A abordagem das artrites envolve principalmente a identificação da causa da artrite e o controle da dor. O repouso relativo da articulação também é necessário.

- Analgésicos (como paracetamol ou dipirona) ou anti-inflamatórios (como ibuprofeno, ou naproxeno) podem ser indicados para controle da dor articular;

- Anti-inflamatórios não-hormonais (como naproxeno) podem ser indicados dependendo dos sinais e sintomas;

- Medicamentos corticosteroides (como a prednisona ou prednisolona) são preferencialmente indicados no caso da febre reumática com comprometimento do coração;

- Aspiração e drenagem da articulação, instituição do tratamento antimicrobiano por via parenteral, guiado pelos resultados da cultura e antibiograma do aspirado sinovial é a conduta adequada na artrite séptica;

- Como tratamento antimicrobiano empírico, recomenda-se cobertura para Stafilococcus aureus, avaliando-se a possibilidade de uso de antimicrobianos específicos para Stafilococcus aureus multirresistentes;

- No caso da febre reumática há necessidade de erradicação do estreptococo e profilaxia secundária com penicilina benzatina a cada 21 dias por tempo prolongado pelo risco de recorrência;

Fique ligado!

Mediante ao conhecimento em franca expansão sobre as artrites infecciosas, associação com neoplasias e a possibilidade de persistência de artrite prolongada recomenda-se o acompanhamento até a completa resolução da artrite, sem sequelas ou recorrências.

 

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Pronto!

Com as informações aqui contidas, você estará preparado para realizar os primeiros atendimentos do seu paciente pediátrico com artrite aguda. Fique atento nos próximos textos de pediatria que nós da Faculdade CENBRAP disponibilizaremos a vocês. Se você tem interesse nesta área, conheça a nossa pós-graduação em pediatria que é referência no mercado.

 

Este texto teve como referência o Documento Científico do Departamento de Reumatologia da SBP!