No amplo espectro dos transtornos de ansiedade encontramos o Transtorno do Pânico, condição incapacitante, que prejudica a qualidade de vida do paciente. Neste texto, analisaremos a evolução do caso real de um jovem com transtorno do pânico, apontando as condutas corretas para cada ocasião.

   “Eu estava no litoral, voltando de carro com amigos, quando repentinamente e sem nenhum motivo, comecei a sentir uma enorme insegurança. Meu coração disparou e o sentia martelando em meu peito. Sentia minha cabeça formigando, estava com muito calor e comecei a suar abundantemente. Ao mesmo tempo, minhas mãos e pés estavam frios. Respirava mais profundamente, sentia-me sufocado. Pensei que fosse desmaiar ou que estivesse tendo um ataque de alguma coisa e que pudesse morrer. Fomos a um Pronto Socorro e o médico concluiu que meus sintomas se deviam a um excesso de sol.”

   Ao longo do relato, identificamos diversos sintomas decorrentes da ativação autonômica do paciente (taquicardia, sudorese, vasoconstrição periférica), que já sugerem um Ataque de Pânico. O médico plantonista, no entanto, não fez o diagnóstico correto, você faria? Para garantir que a resposta seja “SIM!”, vamos revisar os critérios do DSM-V para diagnóstico do Ataque de Pânico:

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   Feito o diagnóstico, vamos à conduta mais adequada para esta ocasião. O manejo emergencial do ataque de pânico baseia-se em 2 pontos principais:

- Tranquilização do paciente: conscientizá-lo de que seus sintomas são provenientes de uma crise de ansiedade, sem risco à vida. Reforçar o caráter passageiro dos sintomas (até 30 min), estimulando o controle da frequência respiratória para evitar a hiperventilação.

- Se necessário, benzodiazepínicos de ação curta.

    Seguindo com a evolução do paciente:

   Alguns dias após a crise voltou a sentir os mesmos sintomas. Procurou médico, que prescreveu-lhe um benzodiazepínico. As crises se tornaram mais frequentes. Com a repetição das crises e com medo de passar por novos episódios, passou a ficar muito tenso antes de ir ao trabalho, faltando diversas vezes. Deixou de sair com os amigos e evita passeios e jogos, passando seus períodos de lazer em casa, onde nunca teve crises. Fez inúmeras consultas e exames, tendo sido tratado com diversos benzodiazepínicos, porém sem resultado satisfatório.

   A repetição do quadro sintomático nos fazer pensar que não estamos diante de episódios pontuais de ataque de ansiedade, mas sim de um quadro de Transtorno do Pânico, que, de acordo com o DSM-V, apresenta os seguintes critérios:

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   Uma vez diagnosticado o Transtorno do Pânico, vamos ao tratamento:

- Abordagem psicoterápica: a Terapia Cognitiva-Comportamental é que tem mostrado melhores resultados para o Transtorno do Pânico;

- Abordagem farmacológica: a classe de primeira escolha é a dos antidepressivos (ISRS, ISRSN ou ADT). O tratamento farmacológico deve persistir até que médico e paciente se sintam seguros com a evolução do tratamento, com duração mínima de 6 meses.

   Em breve, discutiremos e analisaremos novos casos. Até lá!

Referências:

ZUARDI, Antonio W. Características básicas do transtorno do pânico. Medicina (Ribeirao Preto. Online), v. 50, n. supl1., p. 56-63, 2017.

SALUM, Giovanni Abrahão; BLAYA, Carolina; MANFRO, Gisele Gus. Transtorno do pânico. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, v. 31, n. 2, p. 86-94, 2009.

VERSANI, M. Transtornos de Ansiedade: Diagnóstico e Tratamento. Associação Brasileira de Psiquiatria, 2008.