Cirurgia bariátrica mudanças:

Nos últimos anos, os critérios para a indicação de cirurgia bariátrica passaram por mudanças importantes. Nesse sentido, em 2016, o Conselho Federal de Medicina (CFM) atualizou as regras, listando 21 comorbidades que, se presentes em pacientes com IMC ≥ 35 kg/m², tornam-nos candidatos à cirurgia. Além disso, desde 2012, a Agência Nacional de Saúde (ANS) incluiu a cirurgia bariátrica laparoscópica na cobertura obrigatória dos planos de saúde. Somado a isso, em 2017, o CFM também reconheceu a cirurgia metabólica como uma opção para pacientes com DM2 e IMC > 30 kg/m² que não conseguem controle adequado da doença com tratamento clínico.

Critérios para a indicação de cirurgia bariátrica no brasil:

  • IMC ≥ 40 kg/m²: Todos os pacientes são elegíveis para cirurgia.
  • IMC ≥ 35 kg/m² com comorbidades: Pacientes com doenças como DM2, apneia do sono, hipertensão, dislipidemia, doenças cardiovasculares, entre outras.
  • IMC entre 30 e 34,9 kg/m²: Pacientes com DM2 há menos de 10 anos, entre 30 e 70 anos, que não responderam ao tratamento clínico.

Cirurgia bariátrica em crianças, adolescentes e idosos:

A obesidade entre crianças e adolescentes aumentou de forma significativa nas últimas décadas, com 6% das meninas e quase 8% dos meninos afetados em 2016. Infelizmente, a obesidade na infância aumenta os riscos de complicações na vida adulta, e a cirurgia bariátrica tem se mostrado eficaz na perda de peso e na prevenção de DM2 em adolescentes. Por isso, no Brasil, a cirurgia bariátrica para adolescentes segue critérios rigorosos, com necessidade de avaliação pediátrica e consentimento dos responsáveis.

Para pacientes com mais de 65 anos, a cirurgia também pode ser indicada, considerando-se uma avaliação cuidadosa do risco-benefício e das comorbidades. Dessa forma, os resultados cirúrgicos para essa faixa etária são semelhantes aos de pacientes mais jovens, o que significa que a idade, por si só, não deve ser um impedimento.

Avaliação pré-operatória:

A avaliação pré-operatória deve envolver uma equipe multidisciplinar (endocrinologista, cardiologista, pneumologista, psicólogo, nutricionista, entre outros) para garantir a adaptação adequada às mudanças após a cirurgia. Nesse sentido, cada especialista deve solicitar exames específicos para avaliar a indicação da cirurgia e eventuais contraindicações. Desse modo, entre os exames necessários estão a endoscopia digestiva alta, ultrassonografia abdominal, e exames laboratoriais que avaliam o estado nutricional, a função cardíaca e pulmonar, além de rastrear condições como diabetes e disfunções endócrinas.

Além disso, pacientes devem ter pelo menos 16 anos e apresentar insucesso com o tratamento clínico por pelo menos dois anos. Portanto, Pacientes com dependência química, alcoolismo ou transtornos psiquiátricos graves devem ser avaliados com cuidado pela equipe médica.

Exames e medidas pré-Operatórias:

  • Avaliação clínica completa e exames laboratoriais de rotina.
  • Triagem nutricional com dosagem de ferro, vitamina B12, ácido fólico e vitamina D.
  • Avaliação cardiopulmonar e rastreio de apneia do sono.
  • Avaliação gastrointestinal (endoscopia e ultrassonografia abdominal).
  • Investigação de causas raras de obesidade, se necessário.
  • Otimização do controle glicêmico e tratamento de dislipidemias e hipotireoidismo.
  • Orientação para perda de 10% do peso antes da cirurgia, para reduzir complicações.

 

Acompanhamento do paciente no pós-operatório:

A cirurgia bariátrica é apenas uma etapa inicial no processo de perda de peso, sendo essencial o comprometimento com mudanças de hábitos e estilo de vida para garantir um bom resultado a longo prazo. Por isso, a reeducação alimentar e a adaptação progressiva da dieta são fatores fundamentais para o sucesso do tratamento. Logo, o acompanhamento deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar, incluindo nutricionistas, médicos e educadores físicos.

Dieta no pós-operatório:

A dieta no pós-operatório precoce começa com alimentos líquidos e, gradualmente, progride para alimentos pastosos, até que uma dieta sólida seja introduzida cerca de um mês após a cirurgia. Esse cronograma pode variar de acordo com o protocolo da equipe cirúrgica. Portanto, a dieta deve ser rica em proteínas e pobre em carboidratos, evitando a recidiva da obesidade e hipoproteinemia. 

É recomendado que no início haja uma ingestão mínima de 60 g de proteína por dia, podendo atingir até 1,5 g/kg de peso ideal, para suprir as necessidades nutricionais.

Medicações no pós-operatório: 

As medicações de uso contínuo devem ser ingeridas maceradas ou em formas líquidas para maximizar a absorção. As versões extended release devem ser evitadas para assegurar que o organismo absorva os medicamentos de forma eficaz.

Atividade física no pós-operatório:

A prática de atividade física é crucial para o controle do peso a longo prazo, melhora do resultado estético e redução de sarcopenia (perda de massa muscular). Desse modo, é recomendado começar gradualmente e sob supervisão de um educador físico. Por isso, o objetivo inicial é realizar, no mínimo, 150 minutos de atividade física por semana, com a meta de atingir 300 minutos/semana, incluindo exercícios de força.