Conduta no Exame Psiquiátrico: Sinais e Avaliação Clínica

O que o médico avalia ao examinar a "conduta" do paciente?

Avalia-se o comportamento observável: postura corporal, expressões faciais, movimentos, marcha, velocidade motora, impulsos, reações a estímulos e linguagem corporal. A conduta reflete a integração da vontade (função volitiva), dos afetos e do pensamento.

O que é agitação psicomotora e qual seu significado clínico?

É o aumento desorganizado e acelerado dos movimentos corporais, frequentemente acompanhado por pensamento acelerado (taquipsiquismo), irritabilidade e potencial agressividade. É um sinal inespecífico que pode surgir em crises de mania (bipolaridade), psicoses agudas, intoxicação ou abstinência de substâncias e demências.

Como se manifesta a lentificação psicomotora?

Há uma lentidão generalizada dos movimentos e da fala, com grande esforço para iniciar qualquer ação e demora aumentada entre o estímulo do examinador e a reação do paciente (latência de resposta). É comum em quadros depressivos graves.

O que são hipobulia e abulia?

São graus de redução (hipobulia) ou perda total (abulia) da força de vontade e da iniciativa para realizar atividades cotidianas. O paciente perde os desejos e o interesse, quadro comumente associado à apatia.

Qual a diferença entre negativismo e obediência automática?

  • Negativismo: Resistência involuntária às ordens ou estímulos externos. Pode ser passivo (não faz nada do que é pedido, como no mutismo) ou ativo (faz exatamente o oposto do comando).
  • Obediência automática: O extremo oposto; o indivíduo executa mecanicamente e sem qualquer crítica todas as ordens dadas pelo examinador, perdendo sua autonomia de escolha.

O que são "fenômenos de eco"?

São repetições automáticas e involuntárias dos estímulos produzidos pelo médico:

  • Ecolalia: Repete o que o médico fala.

  • Ecopraxia: Imita os gestos e movimentos do médico.

  • Ecografia: Copia a escrita do médico.

Como distinguir estereotipias motoras, maneirismos e tiques?

  • Estereotipias: Movimentos repetitivos, uniformes e sem nenhuma finalidade prática (ex.: balanceio contínuo do tronco), indicando perda do controle voluntário.
  • Maneirismos: Movimentos bizarros e estilizados que parecem ter um objetivo ou intenção, mas de forma exagerada, afetada ou incompreensível.

  • Tiques: Contrações musculares rápidas, súbitas, breves e repetitivas (motores ou vocais), que pioram em momentos de ansiedade (ex.: Síndrome de Tourette).

11. Qual a distinção crucial entre ato impulsivo e ato compulsivo?

  • Ato Impulsivo (Egossintônico): Ocorre de forma súbita, sem reflexão ou planejamento prévio; o paciente não tenta resistir no momento em que executa o ato (ex.: automutilação, episódios de compulsão alimentar rápida, cleptomania, piromania).

  • Ato Compulsivo (Egodistônico): É precedido por uma ideia obsessiva desagradável e por um desconforto interno. O paciente reconhece o ato como irracional ou indesejado, tenta resistir, mas o realiza de forma ritualizada para aliviar a ansiedade temporariamente.

Quais sinais motores iatrogênicos devem ser monitorados na conduta?

Deve-se observar efeitos adversos extrapiramidais causados por medicamentos psiquiátricos (especialmente antipsicóticos), tais como:

  • Tremores de extremidades;

  • Acatisia: Inquietação motora e incapacidade subjetiva de permanecer parado;

  • Distonia aguda: Espasmos musculares involuntários e dolorosos (ex.: torcicolo, crise oculogírica);

  • Parkinsonismo secundário: Rigidez, lentidão e instabilidade postural;

  • Discinesia tardia: Movimentos involuntários repetitivos orofaciais após uso crônico de medicações.

Referência: MARI, Jair de Jesus; KIELING, Christian (Org.). Psiquiatria na Prática Clínica. Barueri: Manole, 2013.