Consulta do pré-escolar – 48 meses (4 anos)

1. Monitoramento

O que deve ser acompanhado nessa faixa etária?

  • Principais demandas e dúvidas trazidas pela família.
  • Crescimento esperado (em média 5 a 7 cm e 2 kg por ano), além da avaliação do IMC e curvas de crescimento.
  • Desenvolvimento e comportamento da criança.
  • Tempo de exposição às telas (máximo de 1 hora por dia).
  • Alimentação e hábitos de sono (necessita de 10 a 12 horas por noite).
  • Rotina e atividades do dia a dia.
  • Relação com outras crianças (escola, creche, brincadeiras).
  • Convivência com animais domésticos e exóticos.
  • Situação vacinal (checar se precisa de reforços).
  • Prevenção de acidentes no ambiente doméstico e fora dele.
  • Saúde bucal (risco de cáries).
  • Acuidade visual (triagem pelo pediatra; encaminhar ao oftalmologista quando necessário).
  • Avaliação de risco social e sinais de estresse tóxico.

2. Anamnese

Quais perguntas devem ser feitas durante a consulta?

  • Motivo principal da visita ou queixa atual.
  • Intercorrências desde a última consulta (alergias, internações, cirurgias).
  • Alimentação e hidratação.
  • Padrão de evacuação e eliminação urinária.
  • Uso de medicamentos.

3. Exame físico

O que não pode faltar no exame?

  • Avaliação geral (ectoscopia).
  • Exame físico completo.
  • Peso e altura.
  • Verificação da pressão arterial (a partir dos 3 anos), sempre comparando com tabelas de referência para idade e estatura.

4. Desenvolvimento e comportamento

O que se espera nessa idade?

  • Melhora das habilidades motoras finas.
  • Linguagem fluente, com perguntas frequentes.
  • Maior independência no autocuidado.
  • Sociabilidade e expressão de emoções.
  • Interesse maior pelo ambiente do que pela comida.
  • Aprendizado de convivência em grupo.

Quais sinais de alerta precisam ser observados?

  • Dificuldade para rabiscar.
  • Não consegue pular no mesmo lugar ou contar uma história.
  • Pouco interesse por brincadeiras de faz de conta.
  • Não responde a familiares, ignora outras crianças.
  • Resistência ao treino esfincteriano (banheiro).
  • Não diferencia conceitos de “igual” e “diferente”.
  • Não usa pronomes simples como “eu” e “você”.
  • Perda de habilidades que já tinha adquirido.

5. Diagnósticos

Quais aspectos devem ser considerados?

  • Queixa principal trazida na consulta.
  • Estado nutricional (IMC e curvas).
  • Situação vacinal.
  • Avaliação do desenvolvimento e comportamento.
  • Risco social.

6. Orientações

O que deve ser orientado à família?

  • Alimentação: oferecer variedade; evitar doces e guloseimas; respeitar o apetite; desligar TV durante refeições.
  • Vacinação: reforços de tríplice bacteriana, febre amarela, poliomielite, varicela e hepatite.
  • Estímulos: brinquedos que favoreçam imaginação (fantasias, blocos, jogos de cozinha); oferecer opções simples de escolha; incentivar brincadeiras ao ar livre; contar histórias e cantar músicas; estimular uso de palavras; promover jogos de grupo e dramatizações.
  • Prevenção de acidentes: supervisão constante, principalmente em locais com risco de quedas, afogamentos, trânsito ou contato com pessoas desconhecidas.
  • Atividade física: encorajar práticas regulares.
  • Saúde bucal: escovação após refeições.
  • Sexualidade: ensinar sobre limites e respeito ao corpo, privacidade e higiene íntima.
  • Exames laboratoriais: quando necessário, incluir hemograma, urina tipo I, parasitológico de fezes e perfil lipídico.

Referência:  Silva LR, Solé D, Silva CAA, Constantino CF, Liberal EF, Lopez FA. Tratado de Pediatria. Sociedade Brasileira de Pediatria. 5ª Ed. Editora Manole, 2022.