Primeiro temos que entender o que é disfunção sexual, ela pode ser definida como a incapacidade do indivíduo em realizar o ato sexual de forma satisfatória para si, para seu parceiro ou para ambos por pelo menos seis meses, podendo haver como variáveis ou determinantes elementos somáticos/orgânicos ou psíquicos que caracterizariam uma explicação ou maior compreensão para a disfunção.

 

Como é realizado o diagnóstico da disfunção sexual?

O diagnóstico é feito através de anamnese específica com o próprio paciente e com o(a) parceiro(a). Devemos lembrar que a anamnese do parceiro é importante para avaliar o grau da disfuncionalidade que pode afetar o casal, ou mesmo buscar causas extrínsecas ao relacionamento ou causas do próprio parceiro que podem levar à disfunção sexual do outro.

 

O que deve ser levado em conta pelo médico?

Deve-se levar em conta a idade, experiências sexuais prévias, comorbidades clínicas e especificidades do gênero de cada indivíduo, e classificar entre um transtorno primário (ao longo da vida), secundário (adquirido), generalizado (em qualquer circunstância) ou situacional (ocorre apenas com parceiros específicos ou situações específicas).

 

Classificação e breve definição dos quadros:

Tabela 1- Classificação e breve definição dos quadros (CID-10)

 

Tratamento

Existem disponíveis diversos medicamentos aprovados com bons resultados na literatura científica que restauram a fisiologia do ciclo de resposta sexual e são adequados para o tratamento das diferentes disfunções sexuais.

- Ejaculação Precoce: São preferíveis medicações serotoninérgicas, que levam a retardo ejaculatório. Os inibidores seletivos da receptação de serotonina (ISRS) são os fármacos de primeira escolha pois tem como efeito colateral o retardo ejaculatório. Antidepressivos tricíclicos também podem ser utilizados mas são menos tolerados devido aos seus efeitos adversos.

- Disfunção erétil: a primeira escolha são os inibidores da fosfodiesterase tipo 5, recuperando e mantendo a resposta erétil durante o estímulo sexual. Ex.: tadalafila, cloridrato de vardenafila, carbonato de lodenafila e citrato de sildenafila.

- Anorgasmia: Antidepressivos como a buspirona ou ISRS, se anorgasmia for por depressão.

- Dispareunia e vaginismo: antidepressivos, gel lubrificante hidrossolúvel, cremes tópicos de estrógeno e fisioterapia para o assoalho pélvico e genitais estão indicados.

- Desejo sexual hipoativo: está indicado o tratamento hormonal com reposição de testosterona caso se identifiquem baixos níveis hormonais. Abordagem medicamentosa não hormonal são os inibidores da recaptação de dopamina como a bupropiona.

- Disfunção sexual associada a efeito adverso de antidepressivos: sugere-se o uso de complementos do tratamento do transtorno depressivo como bupropiona e buspirona.

 

Obs 1.:

Diferentes técnicas psicoterápicas (psicoterapia individual, terapia sexual e/ ou terapia de casal) sempre devem ser consideradas e se mostram muito eficazes nesses casos e podem ser associadas ao tratamento farmacológico.

A psicoterapia pode levar a uma maior compreensão do caso com o paciente e o casal, estimular a psicoeducação e resgatar a função e satisfação sexual.

 

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Referência:

Psiquiatria- O essencial- Leonardo Augusto.