Sabemos que as dislipidemias não são mais uma doença exclusiva de adultos e idosos. Pelo contrário, segundo o Ministério da Saúde, sua prevalência já alcança mais de 20% das crianças e adolescentes. Os números assustam e nos alertam: chegamos ao ponto em que a dislipidemia infantil se tornou rotina na prática clínica. Sendo assim, diante da importância do tema, destacamos os 3 pontos que você precisa saber para conduzir um caso de dislipidemia infantil, de acordo com a Diretriz Brasileira de Dislipidemias:

  1. Classificação e Estratificação de Risco

As principais causas de dislipidemia na infância podem ser classificadas da seguinte forma:

+ Relacionada a hábitos de vida: é a principal causa, estando associada à dieta inadequada, sedentarismo, tabagismo e consumo de álcool.

+ Relacionada a medicações: associada ao uso de corticoesteroides, antipsicóticos, anticonvulsivante, betabloqueador, anticoncepcionais, entre outros.

+ Causas genéticas: hipercolesterolemia familiar, hiperlipidemia combinada familiar e hipertrigliceridemia severa familiar.

+ Secundárias a condições médicas: síndrome da imunodeficiência humana, colestases crônicas, hipotireoidismo, síndrome nefrótica, insuficiência renal crônica, obesidade, doenças inflamatórias crônicas, diabetes mellitus, entre outras.

Em relação às condições clinicas e estratificação de risco associados à aterosclerose desde a infância, segundo sua gravidade, temos:

+ Doenças de alto risco: diabete mellitus, doença renal crônica, transplante cardíaco ou renal e doença de Kawasaki com aneurismas;

+ Doenças de moderado risco: doenças inflamatórias crônicas (incluindo doença de Kawasaki com regressão dos aneurismas), infecção pelo HIV, história familiar de doença arterial isquêmica precoce (homens < 55 anos e mulheres < 65anos).

Destacamos ainda os principais fatores de risco relacionados à dislipidemia em crianças e adolescentes: hipertensão arterial, tabagismo, obesidade e HDL inferior a 40 mg/dL.

 

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  1. Triagem

De acordo com a Diretriz Brasileira de Dislipidemias, deve-se fazer a dosagem sérica do perfil lipídico da criança maior que 2 anos caso ela apresente alguma das seguintes indicações:

+ História familiar de doença arterial isquêmica precoce

+ Pais com colesterol total > 240 mg/dL;

+ Apresentam outras doenças ou fatores de risco para aterosclerose;

+ Uso de medicamentos que alteram o perfil lipídico;

+ Presença de manifestações clínicas de dislipidemias (xantomas, xantelasma, arco corneal, dores abdominais recorrentes e pancreatite).

Após a realização dos exames laboratoriais, devemos comparar os resultados com os seguintes valores de referência:

 

       3. Tratamento

Como a maioria dos casos é decorrente de maus hábitos de vida, a abordagem inicial é comportamental. Em geral, deve-se estimular uma dieta saudável, a prática de atividade física e bons hábitos de vida. Destacamos que há certo risco de comprometimento no crescimento e desenvolvimento da criança, caso ela esteja em uma dieta pobre em lipídeos, devendo, pois, ser acompanhada com atenção.

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A terapia farmacológica, por sua vez, deve ser iniciada, no mínimo, após 6 meses da mudança de estilo de vida. As estatinas são os fármacos utilizados com maior frequência, mas dependendo da necessidade, pode-se utilizar também os inibidores da absorção do colesterol, os sequestradores de ácidos biliares, fibratos e óleos de peixe.

 

Referências:

  1. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, 2017. Sociedade Brasileira de Cardiologia.