1. O que é pensamento dicotômico (tudo ou nada)?
É a tendência de enxergar situações, pessoas ou resultados apenas em extremos, como totalmente bons ou totalmente ruins, sem reconhecer nuances ou graus intermediários.
Exemplo clínico:
“Errei em um detalhe da consulta, então fui um médico péssimo.”
“Comi fora da dieta uma vez, então perdi todo o controle.”
2. O que significa previsão negativa do futuro (catastrofização)?
É antecipar que algo ruim vai acontecer e acreditar que as consequências serão insuportáveis, mesmo sem provas concretas.
Exemplo clínico:
“Vou reprovar na prova e isso vai acabar com minha carreira.”
“Se eu ficar ansioso, não vou conseguir atender nenhum paciente.”
3. O que é desqualificação dos aspectos positivos?
Consiste em ignorar ou minimizar experiências positivas, tratando-as como irrelevantes ou fruto do acaso.
Exemplo clínico:
“Fui elogiado, mas foi só sorte.”
“Passar na residência não é grande coisa, qualquer um consegue.”
4. O que é raciocínio emocional?
É acreditar que algo é verdadeiro apenas porque a pessoa sente dessa forma, usando a emoção como prova da realidade.
Exemplo clínico:
“Sinto que sou incompetente, então devo ser.”
“Tenho medo de avião, logo voar deve ser perigoso.”
5. O que é rotulação?
É atribuir rótulos globais e negativos a si mesmo ou aos outros, com base em um comportamento ou situação específica.
Exemplo clínico:
“Sou um fracasso.”
“Ele é uma pessoa horrível.”
“Ela é totalmente incapaz.”
6. O que significa ampliação e minimização?
É exagerar os aspectos negativos e, ao mesmo tempo, reduzir ou desprezar os aspectos positivos de si, dos outros ou das situações.
Exemplo clínico:
“Tirei nota baixa, isso prova que sou inferior.”
“Tirei nota máxima, mas isso não quer dizer nada.”
7. O que é abstração seletiva (filtro mental)?
É focar apenas em um detalhe negativo e ignorar todo o contexto positivo ao redor.
Exemplo clínico:
“O supervisor elogiou meu trabalho, mas corrigiu um ponto, então foi tudo ruim.”
“Uma crítica significa que serei demitido.”
8. O que é leitura mental?
É assumir que sabe o que os outros estão pensando ou sentindo, sem evidências claras.
Exemplo clínico:
“Ele acha que eu sou incompetente.”
“Ela percebeu que eu não sabia o diagnóstico.”
9. O que é supergeneralização?
É tirar conclusões amplas a partir de um único episódio, usando termos como “sempre”, “nunca” ou “todo mundo”.
Exemplo clínico:
“Sempre que tiro folga, algo dá errado.”
“Você nunca me escuta.”
10. O que é personalização?
É interpretar eventos externos como se fossem dirigidos diretamente a si, sem considerar outras explicações possíveis.
Exemplo clínico:
“O caixa não me agradeceu porque não gosta de mim.”
“Meu casamento acabou porque eu fui uma péssima esposa.”
11. O que são afirmações do tipo “deveria” ou “tenho que”?
São regras rígidas internas sobre como as pessoas ou situações deveriam ser, gerando culpa, frustração ou raiva quando não são atendidas.
Exemplo clínico:
“Eu deveria ter sido uma mãe perfeita.”
“Ele não deveria ter cometido esse erro.”
12. O que são conclusões precipitadas?
É chegar a uma conclusão sem dados suficientes, geralmente com interpretação negativa.
Exemplo clínico:
“Assim que o vi, percebi que ele tinha más intenções.”
“Ele me olhou, então deve achar que fui culpado pelo problema.”
13. O que é a distorção de culpar?
É atribuir toda a responsabilidade do sofrimento a outras pessoas ou, ao contrário, assumir culpa excessiva por ações e escolhas alheias.
Exemplo clínico:
“Meus pais são totalmente responsáveis pela minha infelicidade.”
“É minha culpa que meu filho tenha feito um mau casamento.”
14. O que caracteriza o pensamento do tipo “e se?”?
É ficar repetidamente imaginando cenários negativos futuros, aumentando a ansiedade.
Exemplo clínico:
“E se eu sofrer um acidente?”
“E se eu tiver um infarto?”
“E se meu parceiro me abandonar?”
15. O que são comparações injustas?
É comparar-se apenas com pessoas que parecem estar em melhor situação, desconsiderando o próprio contexto e capacidades.
Exemplo clínico:
“Sou um fracasso porque meu irmão é mais inteligente.”
“Não tenho valor porque ela é mais bem-sucedida.”
Aplicação clínica:
O reconhecimento dessas distorções ajuda o médico a:
- Identificar padrões cognitivos disfuncionais;
- Favorecer psicoeducação do paciente;
- Auxiliar no manejo de ansiedade, depressão e sofrimento emocional;
- Melhorar adesão ao tratamento e tomada de decisões.
Referência: OLIVEIRA, Irismar Reis de; SCHWARTZ, Thomas; STAHL, Stephen M. Integrando psicoterapia e psicofarmacologia: manual para clínicos. Porto Alegre: Artmed, 2014/2015. ISBN 978-85-8271-164-4.