A doença de Parkinson é um transtorno neurológico complexo, progressivo que afeta a saúde e a qualidade de vida dos pacientes e compromete a estrutura socioeconômica familiar. É fundamental que nós médicos saibamos realizar adequadamente o manejo da doença de Parkinson, pois é uma doença que está crescendo na população brasileira e até 2040 juntamente com a demência e a doença de neurônio motor, devem superar o câncer e ser a segunda causa de mortes nos idosos. Dessa forma, a Faculdade CENBRAP preparou este texto para atualizar você sobre esse tema que é muito importante!
Neste texto você encontrará da doença de Parkinson:
- Epidemiologia
- Características clínicas
- Diagnóstico
- Tratamento
Boa leitura!
Epidemiologia da doença de Parkinson
A doença de Parkinson representa 80% dos casos de parkinsonismo. Acomete preferencialmente pessoas com idade superior a 50 anos. A incidência e a prevalência aumentam com o avançar da idade. A incidência tem aumentado cerca de 1,5% em indivíduos acima de 65 anos de idade e 2,5% nos acima de 85 anos de idade. A idade é o mais consistente fator de risco, e as mulheres têm um acometimento maior do que os homens.
Características clínicas da doença de Parkinson
Os principais sinais cardinais da doença de Parkinson no idoso são:
- Bradicinesia
- Rigidez
- Tremor de repouso
- Instabilidade postura
Sintomas e sinais adicionais mais prevalentes da doença de Parkinson no idoso:
- Fácies inexpressivas
- Depressão
- Fala hipofônica
- Aumento no tempo das atividades de vida diária
- Micrografia
- Marcha festinante
- Déficit cognitivo
- Perda do balanço dos braços
- Cãibras
- Acúmulo de saliva
- Hipotensão ortostática
Diagnóstico da doença de Parkinson
A doença de Parkinson é neurodegenerativa e de longa duração. O seu diagnóstico não é fácil, pois várias doenças neurodegenerativas e não neurodegenerativas cursam com parkinsonismo. Todo portador de doença de Parkinson tem parkinsonismo, mas nem todo portador de parkinsonismo tem doença de Parkinson.
O diagnóstico é baseado na identificação dos sinais e sintomas que compõem o quadro clínico. A eficácia diagnóstica está diretamente relacionada com:
- História clínica detalhada
- Exame físico
- Identificação de bradicinesia
- Pelo menos mais um dos demais sinais cardinais: rigidez, tremor e instabilidade postural.
Os exames laboratoriais e a tomografia computadorizada do crânio são úteis para afastar outras doenças. A ressonância magnética do crânio tem se mostrado eficaz, em estudos realizados, no diagnóstico diferencial da doença de Parkinson em relação a outros quadros de parkinsonismo.
A PET com fluorodopa e o SPECT cerebral com transporte de dopamina têm sido úteis em ensaios clínicos, no diagnóstico diferencial e para monitorar a evolução da doença de Parkinson.
A escala de Hoehn e Yahr indica o nível relativo de incapacidade em estágios de 0 a 5:
0: Sem sintomas visíveis da doença de Parkinson
1: Sintomas em apenas um lado do corpo
2: Sintomas nos dois lados do corpo e sem dificuldade para caminhar
3: Sintomas nos dois lados do corpo e com dificuldade mínima para caminhar
4: Sintomas nos dois lados do corpo e com dificuldade moderada para caminhar
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Tratamento da doença de Parkinson
Não há, até a presente data, tratamento medicamentoso ou cirúrgico que seja neuroprotetor ou que previna a progressão da doença. O tratamento da doença de Parkinson visa o controle dos sintomas. O objetivo é manter a pessoa idosa o maior tempo possível com autonomia, independência funcional e equilíbrio psicológico.
Tratamento farmacológico da doença de Parkinson
Precursor dopaminérgico – levodopa:
A levodopa continua sendo o padrão-ouro no tratamento e está disponível em nosso país já associada a um inibidor da dopadescarboxilase periférica que diminui os efeitos colaterais dopaminérgicos como náuseas e vômitos.
Deve-se iniciar com doses baixas, 1 ou 2 horas antes das refeições. Por apresentar meia-vida em torno de 2 horas, deve ser administrada de 3 a 4 vezes/dia. A resposta sintomática tende a ser imediata.
Obs 1.: À medida que a doença progride, as pessoas passam a perceber momentos de desempenho funcional insatisfatório, sendo necessário aumentar a dose e diminuir o intervalo entre as tomadas.
Agonistas dopaminérgicos:
Os agonistas dopaminérgicos estimulam diretamente os receptores dopaminérgicos, têm meia-vida mais longa, independem de ação enzimática, não sofrem competição na absorção intestinal e passagem pela barreira hematencefálica. Entretanto, não são bem tolerados pelos idosos, com uma maior incidência de náuseas, vômitos, efeitos cardiovasculares e psiquiátricos.
Os efeitos desejáveis são observados ao longo de 4 a 6 semanas. São administrados em doses iniciais baixas, sendo tituladas progressivamente. Os agonistas dopaminérgicos não ergolínicos teriam como vantagens não sofrerem metabolização hepática, melhor absorção oral, pouca incidência de hipotensão ortostática.
Inibidores da COMT:
O tolcapone e o entacapone são os dois inibidores da COMT disponíveis, esses agentes apresentam similaridades, exceto que o tolcapone tem ação periférica e central no cérebro, e o entacapone, apenas periférica no cérebro.
Os inibidores da COMT não têm ação antiparkinsoniana e devem ser sempre administrados em associação com a levodopa.
O tolcapone deve ser administrado 3 vezes/dia e o entacapone tem de ser tomado obrigatoriamente junto com a dose de levodopa.
Obs 2.: A diarreia é o efeito colateral mais frequente, e o entacapone altera a cor da urina e não tem significado clínico. Deve-se monitorar a função hepática a cada 2 a 4 semanas, nos primeiros 6 meses.
Amantadina:
O efeito terapêutico nos sintomas parkinsonianos é pequeno. Atualmente, é utilizada no tratamento das discinesias, e este efeito perdura, em média, por um período de 8 meses.
Inibidores da MAO-B:
A selegilina é um inibidor irreversível da monoaminoxidase tipo B que possui ação sobre os sintomas da doença de Parkinson. Por ser metabolizada em anfetamina e metilanfetamina, causa insônia e ideias delirantes, impossibilitando a sua utilização nos idosos.
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Tratamento não farmacológicas da doença de Parkinson:
- Intervenção fisioterápica
- Trabalho fonoaudiológico
- Orientação nutricional
Tratamento cirúrgico da doença de Parkinson:
A cirurgia estereotáctica pode ser por procedimento denominado ablativo, que resulta na lesão ou destruição de uma área específica do cérebro, sendo os alvos mais utilizados o tálamo, o globo pálido interno e o núcleo subtalâmico.
O grande avanço é a estimulação profunda do cérebro, em que um estimulador com eletrodos é implantado por procedimento esterotáctico no núcleo subtalâmico.
A indicação do procedimento estereotáctico requer avaliação criteriosa, envolvendo o tempo de doença, a resposta à levodopa, as flutuações, as discinesias e a presença de comorbidades. O transplante de células nervosas fetais tem obtido resultados, mas ainda em estágio experimental, e o futuro parece ser o enxerto de células-tronco no cérebro.
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Este texto usou como referência o Tratado de Geriatria e Gerontologia - Quarta edição.