Não importa se você é um pediatra já reconhecido ou ainda é médico generalista atendendo em UBS, o atendimento a bebês e criança com infecções cutâneas certamente fará parte da sua rotina. Estudos revelam que mais de 30% de todas as consultas pediátricas são referentes à queixas dermatológicas. Realmente não dá para fugir desse assunto! E é pensando nisso que viemos discutir sobre o diagnóstico e tratamento da infecção de pele mais comum na infância: o impetigo.     

  • Formas clínicas do Impetigo

     Essa piodermite é classificada em duas formas clínicas: impetigo não bolhoso/ crostoso e impetigo bolhoso, cada uma apresentando um agente etiológico típico.

1) Impetigo não bolhoso ou crostoso

    É classicamente causado pelo Streptococcus pyogenes, mas também pode se associar à presença do Staphylococcus aureaus. É a forma clínica mais frequente, correspondendo a 70% dos casos.

Faixa etária: geralmente acima dos 2 anos de idade.

Aspecto da lesão: geralmente se inicia na face, em pele previamente traumatizada. Lesão maculopapular eritematosa que rapidamente evolui para vesícula e pústula com crosta amarela e halo eritematoso, como mostram as imagens. Não dolorosa, prurido ocasional, sem repercussão sistêmica.

                                  

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2) Impetigo bolhoso

    Causado exclusivamente pelo Staphylococcus aureaus.

Faixa etária: geralmente entre 2 e 5 anos de idade.

Aspecto da lesão: a face é o local mais afetado. A lesão inicia-se com vesículas que se transformam em bolhas flácidas de paredes finas, com conteúdo inicialmente claro que, depois, torna-se turvo. As bolhas se rompem facilmente, permanecendo a erosão rasa rodeada por restos da bolha.

                                      

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  • Diagnóstico

       Para entender este ponto, selecionamos duas literaturas:

    O Tratado de Pediatria da SBP e a Sociedade Americana de Doenças Infecciosas afirmam que o diagnóstico de ambas as formas é clínico, não sendo recomendada a cultura de rotina. No entanto, caso seja necessário, poderá ser solicitada a bacterioscopia pelo Gram e cultura de secreções das lesões para tentar isolar o agente etiológico responsável pela infecção.

  • Tratamento

   A doença é autolimitada e geralmente dura até 3 semanas. Nesse período o tratamento deve ser individualizado, mas, no geral, segue os seguintes passos:

Medidas gerais: limpeza delicada da lesão, removendo crostas e restos de bolhas.

Tratamento tópico: na presença de lesões pouco numerosas ou quando apenas uma região topográfica está acometida.

     - Mupirocina: 3 vezes/dia, por 7 dias;

     - Retapamulina: 2 vezes/dia, por 5 dias.

Tratamento sistêmico: na presença de grande número de lesões ou acometimento de diversas regiões topográficas. Antibióticos mais utilizados:

     - Cefalexina;

     - Amoxicilina + Ácido Clavulânico.

     Agora com diagnóstico e tratamento atualizados, continue a realizar seus atendimentos.

     Em breve, discutiremos mais sobre dermatologia pediátrica.

     Até lá!

         

Referências:

  1. Guideline para o diagnóstico e tratamento das infecções cutâneas e de partes moles: Atualização pela Sociedade Americana de Doenças Infecciosas, SBP 2014. 
  2. Infecções da Pele e Tecidos Moles - Recomendações da Secção de Infecciologia Pediátrica, SPP.