O que é o jogo patológico?

O jogo patológico, também chamado de cibomania, é um transtorno caracterizado pela perda persistente do controle sobre o ato de jogar, com prejuízos pessoais, familiares, sociais e financeiros.

Quem é mais acometido pelo jogo patológico?

Na população geral, o transtorno é mais comum em homens, que representam cerca de dois terços dos casos. No entanto, entre os pacientes que buscam tratamento, observa-se maior proporção de mulheres, sugerindo que elas tendem a procurar ajuda com mais frequência.

Existem diferenças sociodemográficas entre jogadores da comunidade e os que estão em tratamento?

Sim, pois na comunidade, os jogadores patológicos tendem a apresentar menor escolaridade e maior proporção de indivíduos não brancos quando comparados àqueles que estão em tratamento especializado.

Como costuma ser a evolução do jogo patológico?

O curso pode ser crônico ou intermitente, com períodos de crises caracterizadas por perda completa do controle sobre o comportamento de jogar.

Em que fase da vida o transtorno geralmente se inicia?

Nos homens, o início costuma ocorrer na adolescência ou no início da vida adulta. Já nas mulheres, o começo tende a ser mais tardio.

Há fatores familiares associados ao jogo patológico?

Sim. Familiares de jogadores patológicos apresentam maior frequência de:

  • Jogo patológico
  • Transtornos do humor
  • Transtornos de ansiedade
  • Uso abusivo de álcool

Qual a relação entre jogo patológico e uso de substâncias?

A comorbidade é elevada:

  • Cerca de 9% dos pacientes internados por dependência química preenchem critérios para jogo patológico.
  • Entre dependentes apenas de álcool, aproximadamente 17% apresentam problemas com jogo.
  • Por outro lado, quase metade dos jogadores patológicos tem problemas relacionados ao consumo de álcool.

Existem diferentes perfis de jogadores?

Sim. Estudos identificaram três grupos principais:

  1. Jogadores não problemáticos – maioria, sem prejuízos significativos.
  2. Jogadores com preocupação excessiva com o jogo – apresentam sofrimento, mas menor envolvimento social desviante.
  3. Jogadores impulsivos com traços antissociais – minoria, porém com maior associação a mentiras, comportamentos ilegais e conflitos sociais.

O jogo patológico pode levar a comportamentos criminosos?

Sim. Uma parcela significativa dos jogadores patológicos admite ter praticado atos ilícitos, como mentir, furtar ou cometer fraudes, geralmente motivados pela necessidade de obter dinheiro para continuar jogando.

O envolvimento em crimes significa automaticamente inimputabilidade?

Não. Reduzir o jogo patológico a simples “falta de autocontrole” é inadequado. Mesmo quando há crimes associados, a inimputabilidade é excepcional. Na prática, esses comportamentos costumam indicar maior gravidade do transtorno e necessidade de abordagem terapêutica especializada.
 

Referência: TABORDA, Jorge Mario; ABDALLA-FILHO, Elias; CHALUB, Miguel; TELLES, Lisieux E. de Borba. Psiquiatria Forense. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, [2016].