O que é a neurotensina? A neurotensina é um peptídeo composto por 13 aminoácidos que atua como neurotransmissor e neuromodulador, participando da regulação neuroendócrina e da comunicação entre diferentes sistemas cerebrais. Quais hormônios influenciam os níveis de neurotensina no cérebro? Os níveis de neurotensina em regiões como o hipotálamo, área pré-óptica e núcleo arqueado são modulados por:
  • Hormônios gonadais;
  • Hormônios adrenais;
  • Hormônios tireoidianos.
Esses hormônios podem alterar sua concentração e atividade nessas áreas. Qual é a relação da neurotensina com outros sistemas neurotransmissores? A neurotensina apresenta forte relação anatômica e funcional com os sistemas:
  • Serotoninérgico;
  • Dopaminérgico;
  • GABAérgico;
  • Glutamatérgico.
Essa interação explica seus efeitos amplos sobre comportamento, humor, movimento e função endócrina. Como a neurotensina atua na hipófise anterior? Ela participa do controle da atividade hipofisária anterior, estimulando a liberação de prolactina e TSH, o que a coloca como um elo importante entre o sistema nervoso central e o sistema endócrino. A neurotensina tem efeitos sobre dor e estresse? Sim. A ativação de neurônios serotoninérgicos pela neurotensina parece estar relacionada a:
  • Efeito analgésico;
  • Redução da resposta ao estresse.
Esses efeitos são clinicamente relevantes em transtornos psiquiátricos associados à hiperatividade do eixo do estresse. Qual é o papel da neurotensina na esquizofrenia? Alguns subgrupos de pacientes com esquizofrenia, especialmente sem uso de medicação, apresentam:
  • Baixos níveis de neurotensina no líquor;
  • Alterações na ligação dos receptores de neurotensina, especialmente no córtex entorrinal.
Esses achados sugerem envolvimento da neurotensina na fisiopatologia do transtorno. Como drogas psicotogênicas afetam a neurotensina? Substâncias como a metanfetamina reduzem a liberação de neurotensina no corpo estriado, efeito mediado pela ativação inibitória do receptor dopaminérgico D1. Qual é o efeito dos antipsicóticos sobre a neurotensina? A maioria dos antipsicóticos:
  • Aumenta os níveis de neurotensina no núcleo accumbens e no núcleo caudado;
  • Em pacientes com esquizofrenia e níveis baixos basais de neurotensina no líquor, observa-se aumento após o tratamento, acompanhado de melhora clínica,
Isso reforça a hipótese de um papel antipsicótico indireto da neurotensina. A neurotensina está relacionada aos efeitos motores dos antipsicóticos? Sim. Por sua interação com o sistema dopaminérgico nigroestriatal, acredita-se que a neurotensina esteja envolvida em:
  • Parkinsonismo induzido por antipsicóticos;
  • Distonias;
  • Discinesia tardia.
Em modelos animais, a administração central de neurotensina provoca catalepsia e alterações motoras semelhantes às observadas nesses quadros. Como a neurotensina pode exercer um efeito antipsicótico? Acredita-se que a neurotensina reduza a afinidade dos agonistas pelo receptor dopaminérgico D2, por meio de interações intramembranares, diminuindo assim a hiperatividade dopaminérgica associada à psicose. O que mostram estudos com superexpressão de receptores de neurotensina? Em ratos com superexpressão do receptor de neurotensina tipo 1, observa-se:
  • Redução da ativação do sistema dopaminérgico mesolímbico;
  • Efeito semelhante ao dos antipsicóticos atípicos;
  • Ausência de alterações importantes na locomoção ou na inibição pré-pulso.
Isso sugere que agonistas desses receptores podem ser futuras opções terapêuticas para psicose, com menor risco de efeitos motores. A neurotensina participa do desenvolvimento da dependência química? Possivelmente. Evidências experimentais mostram que:
  • Bloquear a neurotensina aumenta a liberação de dopamina no núcleo accumbens;
  • A própria neurotensina reduz a atividade motora induzida por estimulantes.
No entanto, ela não reduz a autoadministração de cocaína e pode até aumentar a preferência condicionada por lugar, sugerindo um papel complexo na recompensa. Como a neurotensina modula o sistema de recompensa? Seu efeito depende da intensidade do estímulo:
  • Pode aumentar a recompensa de estímulos fracos (semelhante a estimulantes);
  • Pode reduzir respostas máximas, como os antipsicóticos.
Qual é a relação da neurotensina com álcool e outras drogas?
  • O uso crônico de álcool reduz a expressão de receptores de neurotensina;
  • Animais com preferência por álcool apresentam níveis reduzidos de neurotensina no córtex frontal;
  • A neurotensina mimetiza vários efeitos do álcool.
O que se sabe sobre a ibogaína e a neurotensina? A ibogaína, usada em rituais tradicionais, mostrou capacidade de interromper o uso de cocaína e metanfetamina. Seus efeitos incluem:
  • Aumento da neurotensina no núcleo accumbens quando administrada isoladamente;
  • Atenuação do aumento induzido pela cocaína.
Qual é o papel das alterações endócrinas nos transtornos psiquiátricos? Há evidências consistentes de que alterações nos sistemas hormonais participam tanto da fisiopatologia quanto da resposta ao tratamento em diversos transtornos psiquiátricos. Por que ainda é difícil usar essas variáveis na prática clínica? As principais limitações são:
  • Dificuldade em diferenciar estado vs. Traço;
  • Influência de variáveis de confusão;
  • Estudos pequenos e realizados em condições experimentais;
  • Escassez de estudos longitudinais e de custo-efetividade.
Quais sistemas endócrinos são mais promissores como marcadores clínicos? Os sistemas mais estudados são:
  • Eixo hipotálamo–hipófise–adrenal (HPA);
  • Função tireoidiana.
Alterações basais nesses sistemas podem ajudar a subtipar transtornos psiquiátricos e prever prognóstico. Testes como o DST ainda têm utilidade? Embora o teste de supressão com dexametasona (DST) não tenha se consolidado como ferramenta diagnóstica, ele reforça o conceito de que alterações do eixo do estresse são relevantes em vários transtornos. O que pode melhorar a integração entre endocrinologia e psiquiatria?
  • Estudos genéticos de polimorfismos relacionados à resposta hormonal;
  • Avaliação rotineira do estado endócrino em ensaios clínicos;
  • Estudos prospectivos que demonstrem benefício clínico claro.
As variáveis endócrinas devem ser incorporadas aos sistemas diagnósticos? Até o momento, não há evidência suficiente para inclusão formal no DSM. No entanto, a avaliação endócrina sistemática em pesquisa clínica e epidemiológica é considerada necessária e atrasada.

Referência: SADOCK, B. J.; SADOCK, V. A.; RUIZ, P. Compêndio de psiquiatria: ciência do comportamento e psiquiatria clínica. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.