A osteoporose é uma doença esquelética crônica caracterizada pela baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, afetando milhões de pessoas, causando alto risco de fraturas e perda da qualidade de vida, principalmente pessoas idosas, tanto homens quanto mulheres, geralmente após a menopausa.

Hoje resolvemos escrever sobre os fatores de risco, sinais, sintomas, diagnóstico e tratamento da osteoporose na terceira idade.

Boa leitura!!

 

Fatores de risco:

Clinicamente, o que se observa é um somatório dos fatores de risco do passado e do presente, incluindo tanto a genética quanto o estilo de vida. A ocorrência de uma fratura é um importante fator de risco para futuros episódios. Por isso, o objetivo clínico é prevenir a primeira fratura.

Os fatores de risco são:

- Sexo feminino;

- Amenorreia primária ou secundária;

- Baixa massa óssea;

- Hipogonadismo primário ou secundário em homens;

- Fratura prévia;

- Perda de peso após os 25 anos;

- Raça asiática ou caucásica;

- Tabagismo, alcoolismo e sedentarismo;

- Idade avançada em ambos os sexos;

- Tratamento com outros fármacos que induzem perda de massa óssea (heparina, varfarina, fenobarbital, fenitoína, carbamazepina, lítio e metotrexato);

- História materna de fratura do fêmur proximal ou osteoporose;

- Imobilização prolongada;

- Menopausa precoce não tratada (antes dos 40 anos);

 - Passado de dieta pobre em cálcio;

- Tratamento com corticoides;

- Baixo índice de massa corpórea (IMC < 19kg/m2);

- Doenças que induzem à perda de massa óssea.

IMPORTANTE:

A partir dos 35 anos de idade, o osso cortical apresenta perda de 0,3 a 0,5% por ano, tanto em homens quanto em mulheres, podendo ser 10 vezes maior na menopausa.

A perda de osso trabecular anual, pela sua alta atividade metabólica, varia de 0,6 a 2,4% nas mulheres e de 0,2 a 1,2% nos homens.

Ao longo da vida, as mulheres perdem 35 a 50% do osso trabecular e 25 a 30% do osso cortical, enquanto os homens perdem 15 a 45% do osso trabecular e 5 a 15% do osso cortical.

 

Sinais e sintomas:

Geralmente, a osteoporose é assintomática. Os pacientes tomam conhecimento da doença quando ocorre uma fratura ou o médico observa aumento da radio transparência em exame radiológico ou quando é realizada a densitometria óssea.

Os locais de maior ocorrência de fraturas de baixo impacto são vértebras, punho e região proximal do fêmur. As fraturas de punho e fêmur são facilmente diagnosticadas; entretanto, só 30% dos pacientes com fraturas vertebrais procuram atendimento médico.

Os mais jovens fraturam o punho ao tentarem diminuir o impacto da queda. Mais tardiamente ocorrem as fraturas de vértebras e, geralmente após os 70 anos, as femorais, quando, então, o indivíduo já não apresenta reflexos posturais adequados, caindo sentado. A maioria das fraturas do fêmur proximal ocorre por traumas, sendo rara a fratura de quadril ocorrer antes da queda.

Você sabia que:

A maioria das fraturas vertebrais ocorre nas vértebras torácicas inferiores ou lombares superiores, provocadas por mínimos traumas, como ao inclinar-se para frente para pegar um objeto, levantar um peso maior, tossir, sentar-se abruptamente ou até pequenas quedas.

1. A dor por compressão vertebral é aguda, de forte intensidade, permanecendo por 6 a 8 semanas, e é evidenciada pela digito pressão da área comprometida.

2. Os movimentos podem piorá-la. Às vezes, irradia-se para frente, em barra, raramente em direção aos quadris e membros inferiores. Ocasionalmente, pode levar ao íleo paralítico.

3. O colapso vertebral progressivo acaba produzindo hipercifose (corcunda ou corcova de viúva), diminuição da altura e da lordose natural lombar.

4. À medida que aumenta a hipercifose dorsal, a costela passa a tocar a crista ilíaca anterossuperior, fazendo pregas horizontais no abdome, tornando-o protruso, acarretando dor, plenitude pós-prandial, constipação intestinal e refluxo gastresofágico. Há também diminuição da expansibilidade pulmonar.

5. A dor, a hipercifose, a perda de altura, a restrição dos movimentos respiratórios e a compressão gástrica são consequências das fraturas vertebrais.

6. As roupas não caem bem, ficam mais compridas e, com o abdome protruso, deterioram a imagem corporal, causando desconforto social.

 

Diagnóstico e monitoramento da osteoporose:

Não há clínica significativa para o diagnóstico da OP em suas fases iniciais, porém exame físico e anamnese completos deverão ser realizados no indivíduo sob suspeita da doença, na tentativa de buscar uma classificação etiológica.

A investigação clínica dos fatores de risco é fundamental para identificar possíveis vítimas, e alguns exames complementares podem ajudar nesse diagnóstico.

A. Exames laboratoriais:

- Hemograma, velocidade de hemossedimentação (VHS), cálcio sérico, fósforo sérico, proteína total, albumina, enzimas hepáticas, creatinina, eletrólitos, glicemia de jejum, dosagem de vitamina D sérica e cálcio na urina de 24 h.

Existindo história clínica ou achados de exame físico sugestivos de outras causas secundárias, testes laboratoriais adicionais podem ser necessários. Listamos, a seguir, alguns exames: hormônio tireoestimulante (TSH) e paratormônio (PTH) intacto sérico, cortisol urinário livre, marcadores bioquímicos do metabolismo ósseo, discriminados mais adiante; estudo do equilíbrio acidobásico, eletroforese de proteínas séricas, anticorpos (AC) antiendomísio, antigliadina e antitransglutaminase, aspiração de medula óssea.

B. Biomarcadores ósseos

Biomarcadores de formação

- Fosfatase alcalina total e ósseo-específica, osteocalcina, pró-peptídios do colágeno do tipo I, pró-peptídio C-terminal e  pró-peptídio N-terminal.

Biomarcadores de reabsorção

- Hidroxiprolina urinária, fosfatase ácida tartarato-resistente, hidroxilisina glicosilada urinária, cross-links de piridinolina, N-telopeptídio) e C-telopeptídio.

C. Radiografias convencionais

D. Técnicas que medem a densidade óssea

- Ultrassonometria óssea

- Densitometria óssea

E. Biopsia óssea

 

Tratamento:

Medidas preventivas não farmacológicas

A prevenção da osteoporose e das fraturas consequentes apoia-se em um tripé:

- Adequada nutrição;

- Bons hábitos de vida, incluindo exercícios físicos, evitando alcoolismo e tabagismo;

- Controle do ambiente para prevenção das quedas.

Medidas preventivas farmacológicas

A. Antirreabsortivos ósseos

B. Bisfosfonatos

- Alendronato

- Risedronato

- Ibandronato

- Zolendronato

C. Modulador seletivo do receptor de estrogênio (SERM)

- Raloxifeno

D. AMG 162 (osteoprotegerina)

- Denosumab

E. Osteoformadores

- Teriparatida

- Ranelato de estrôncio

 

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Referência:

Tratado de Geriatria e Gerontologia - Quarta edição