Devido as alterações psicopatológicas no primeiro episódio psicótico, se torna fundamental que o médico não tenha uma atitude expectante de observar como seria a evolução natural da doença, mas sim uma postura mais ativa, intensiva e preventiva.
Identificar e tratar intensamente as fases iniciais da psicose tornou-se primordial em vários serviços de saúde ao redor do mundo.
Por isso, hoje iremos falar sobre esse tema, para você médico saber realizar a conduta correta quando atender pacientes com um primeiro episódio psicótico. Boa leitura!!
Definição:
Existem várias definições de primeiro episódio psicótico. Iremos considerar que um indivíduo está apresentando um primeiro episódio psicótico quando:
- Pela primeira vez na vida procura um serviço de saúde em virtude de sintomas como delírios, alucinações, discurso e/ou comportamento desorganizado
- Se o indivíduo já estiver se tratando com antipsicóticos, o período do tratamento deve ser inferior a 6 semanas.
Quadro clínico:
Considera-se a psicose uma síndrome global e simples, definida de maneira estrita pela presença clara de delírios e/ou alucinações e mais amplamente por marcada desorganização do pensamento e comportamento.
Pode ocorrer em associação com depressão maior, mania e sintomas negativos primários. As combinações diferentes dessas síndromes com psicose dão origem às categorias dos transtornos psicóticos, mas são frequentes as dificuldades de identificar o diagnóstico nessa fase inicial.
- Primeiro, porque é comum a mistura de sintomas psicóticos e afetivos – estes podem ser síndromes maníacas e depressivas relativamente transitórias e podem mudar rapidamente.
- Segundo, não é raro o quadro clínico constituir-se de poucos sintomas, sendo muitas vezes difícil determinar se a pessoa está realmente psicótica.
- E, terceiro, o uso de drogas ilícitas é bastante frequente e pode ser etiologicamente importante.
Quadro 1: Categorias de transtornos psicóticos de acordo o DSM-5:

Epidemiologia:
Estudos recentes sobre esquizofrenia e transtornos relacionados mostrou que a taxa durante toda a vida para esse critério mais amplo de transtornos psicóticos foi de 2 a 3%.
Se forem incluídos outros transtornos psicóticos, como transtorno bipolar e transtorno psicótico induzido por substâncias, essa taxa aumenta para 3 a 5%.
Tratamento:
Medicação:
As doses iniciais dos antipsicóticos devem ser baixas e, na presença de resposta clínica incompleta, aumentadas de modo lento e gradual, já que nesse período o paciente está muito suscetível ao surgimento de efeitos colaterais associados às medicações e ao risco de abandono do tratamento é alto.
Apesar de ainda não existir um consenso, os antipsicóticos atípicos são considerados a primeira escolha por especialistas nesse assunto, principalmente pela menor incidência de sintomas motores extrapiramidais, além de algumas outras hipóteses, como melhor tolerância e resposta a longo prazo, quando comparados com os antipsicóticos convencionais.
Importante saber:
É importante ressaltar que alguns atípicos podem causar disfunções sexuais e ganho de peso considerável, levando essa população a sérios problemas de saúde. Assim, é importante a avaliação de cada caso, para estabelecimento individual da melhor medicação possível.
O que fazer no primeiro atendimento do paciente com um primeiro episódio psicótico?
É necessário ser introduzido um antipsicótico atípico em baixa dose (p. ex., 1 a 2 mg de risperidona, 2,5 mg de olanzapina, 7,5 mg de aripiprazol).
Se o paciente estiver muito ansioso ou com insônia, pode-se considerar o tratamento adjuvante com benzodiazepínicos. A reavaliação do paciente semanalmente é importante; se necessário, considera-se aumentar lentamente a dose do antipsicótico.
Obs 1.:
Se o paciente apresentar boa resposta terapêutica, com remissão dos sintomas, deve-se manter o tratamento com o antipsicótico pelo período de 1 ano.
Se, durante esse período, o paciente não apresentar recorrência dos sintomas, pode-se diminuir gradual e lentamente a dose do antipsicótico.
Programas especializados:
Se possível, é recomendado que pacientes no primeiro episódio psicótico sejam tratados em programas especializados. O modelo de atendimento não é igual em todos os centros de atendimento. Os principais objetivos são:
1. Identificar precocemente o primeiro episódio psicótico
2. Tratar de maneira intensiva as fases agudas e de remissão do episódio psicótico
3. Reduzir o impacto do primeiro episódio psicótico
4. Apoiar e ajudar os familiares no cuidado ao seu parente doente
Perguntas que devem ser feitas:
como e por que a pessoa chegou ao serviço? Quais foram os fatores de predisposição à doença? Existem fatores estressores? Qual é a rede social do paciente? Foram excluídas doenças médicas com apresentação psiquiátrica? Qual é o melhor tratamento medicamentoso para esse indivíduo.
Pronto, foi concluído mais um assunto da área da Psiquiatria!
Ficou nítido que a recuperação após o primeiro episódio psicótico é um processo complexo que está relacionado com o tratamento, suporte social e características, assim como a experiências individuais.
Esperamos que tenha aprendido um pouco sobre o assunto e caso tenha interesse em realizar uma Pós Graduação em Psiquiatria conheça o curso da Faculdade Cenbrap !
Referência:
Manual de Psiquiatria Clínica – Felipe Paraventi