Por Cenbrap em sexta-feira, 7 de setembro de 2018
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Refluxo gastroesofágico em prematuros: visão geral, métodos diagnósticos e condutas atualizadasRefluxo gastroesofágico em prematuros: visão geral, métodos diagnósticos e condutas atualizadas Considerado um fenômeno universal em bebês prematuros, o refluxo gastroesofágico ocorre por vários motivos, levando a diversos sinais clínicos. Mas se essa é uma disfunção tão rotineira nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), por que merece nossa atenção? Segundo a publicação da American Academy of Pediatrics (AAP), feita em julho de 2018, essa entidade torna-se relevante na medida em que aumenta o tempo de internação do recém nascido nas unidades hospitalares, o que contribui, por exemplo, com o aumento dos custos relacionados ao seu tratamento. Além disso, o estudo ainda traz recomendações sobre o diagnóstico e conduta de prematuros com refluxo gastroesofágico.
Imagine-se agora na seguinte situação: chega em seu consultório uma mãe e seu bebê pré-termo de apenas 1 mês de vida. A mãe refere que o filho apresenta irritabilidade, êmese frequente e baixo ganho ponderal. Então, diante dessa simples história, você suspeitaria de refluxo gastroesofágico? O que poderia ser feito para confirmar suas hipóteses diagnósticas?
Pois bem, a recente publicação da AAP, sustenta que, em alguns casos, a clínica não seja de fato soberana. Isso é explicado pelo fato de os sintomas do refluxo manifestarem-se de forma inespecífica, variando entre intolerância alimentar, crescimento deficiente, apneia, bradicardia, irritabilidade, desconforto pós-prandial, entre outros. A partir de manifestações clínicas imprecisas, a AAP recomenda, então, a impedanciometria intraluminal esofagiana como exame mais preciso para a investigação médica.
Uma vez diagnosticado (ou até mesmo diante de uma suspeita), o refluxo gastroesofágico precisa ser tratado. Para isso, dispõe-se de medidas não-farmacológicas e farmacológicas.
Na discussão da conduta não farmacológica, dentro do contexto do posicionamento do bebê, ganha destaque a recomendação feita pela AAP em conjunto com a North American Society for Pediatric Gastroenterology and Nutrition (NASPGN): “Bebês com refluxo gastroesofágico devem ser colocados para dormir em posição supina, exceto nos casos raros em que o risco de morte por refluxo é maior do que pela Síndrome de Morte Súbita Infantil.” Não se encontrou resultados que comprovassem a eficácia de medidas como elevação da cabeça, posicionamento em decúbito lateral esquerdo e manipulação do regime alimentar.
Partindo para o tratamento farmacológico, foi alertado que agentes pró-cinéticos (metoclopramida, domperidona e eritromicina) não devem ser usados para o tratamento de refluxo em bebês, tanto pela falta de evidências que comprovem sua eficácia, quanto pelos possíveis efeitos adversos que eles podem causar (estenose de piloro, arritmia cardíaca e efeitos neurológicos). Por fim, em relação aos inibidores da bomba de próton (omeprazol, lansoprazol), revelou-se que, apesar de manterem o pH estomacal acima de 4, não são de fato efetivos na melhora do quadro clínico, além de também causarem efeitos adversos. Sendo assim, devem ser usados de forma moderada.
Em linhas gerais, ressalta-se que independe de como foi feito o diagnóstico e qual foi a conduta escolhida, é preciso ter como objetivo maior alcançar o bem estar do bebê, proporcionando-lhe condições favoráveis ao crescimento e desenvolvimento natural.
Referências: EICHENWALD, Eric C. et al. Diagnosis and Management of Gastroesophageal Reflux in Preterm Infants. Pediatrics, p. e20181061, 2018.