A Síndrome de Pica é uma desordem alimentar que se caracteriza pela ingestão de substâncias inadequadas, de forma persistente, sendo que tais substâncias possuem pequeno ou nenhum valor nutritivo ou, são substâncias comestíveis, porém não na sua forma habitual.
Na gestação essa síndrome é mais frequente, pois é um período de estresse e instabilidade para algumas gestantes que, então passam a adotar estratégias não adequadas e pouco resilientes para dar conta da instabilidade emocional que estão vivenciando, dando origem aos transtornos alimentares na gravidez.
Neste texto iremos discutir as características dessa síndrome e como realizar o manejo adequado. Boa leitura!
Quais são as mudanças provocadas pela síndrome de pica na gestação?
Ocorrem mudanças no metabolismo, alterações psicológicas e também nutricionais que acabam gerando efeitos negativos tanto para a mulher quanto para o feto, como a alta prevalência de abortos, o baixo peso ao nascer, complicações obstétricas e a depressão pós-parto.
Quais são as substâncias mais comuns encontradas na síndrome?
- Pagofagia (ingestão de gelo);
- Geofagia (ingestão de terra ou barro);
- Amilofagia (ingestão de goma, principalmente a de lavanderia);
- O consumo de miscelâneas (combinações atípicas) e frutas verdes.
Critérios diagnósticos para síndrome de pica:
A. Ingestão persistente de substâncias não nutritivas, não alimentares, durante um período mínimo de um mês.
B. A ingestão de substâncias não nutritivas, não alimentares, é inapropriada ao estágio de desenvolvimento do indivíduo.
C. O comportamento alimentar não faz parte de uma prática culturalmente aceita.
D. Se o comportamento alimentar ocorrer no contexto de outro transtorno mental (p. ex., deficiência intelectual [transtorno do desenvolvimento intelectual], transtorno do espectro autista, esquizofrenia) ou condição médica (incluindo gestação), é suficientemente grave a ponto de necessitar de atenção clínica adicional.
Quais são os aspectos que influenciam na síndrome da pica?
Aspectos Psicológicos:
A gravidez é um momento de mudanças e descobertas para a gestante, o qual acaba modificando suas emoções e esse estado emocional característico da gravidez pode resultar em estresse e afetar o processo de enfrentamento da mulher gestante frente à vulnerabilidade típica desse período.
Considerando esse fato, alguns estudos vêm associando a síndrome de pica ao estresse durante a gravidez relacionado a um controle na alimentação da gestante, o qual lhe causaria ansiedade levando a ingestão de alimentos sem valor nutritivo, buscando assim aliviar a tensão que sente.
Aspectos nutricionais:
Algumas literaturas numa teoria nutricional têm apontado a deficiência de ferro e zinco como um dos fatores que levam a Alotriofagia, em que o organismo de modo vicariante buscaria fontes não alimentares desses nutrientes.
A remissão do hábito alimentar bizarro, observado após a suplementação de ferro e zinco, reforçaria a teoria. Porém, a maioria dos autores modernos acredita ser a anemia uma consequência da pica, pois ingerir alimentos estranhos não supre a deficiência de ferro, uma vez que o ferro se encontra pouco biodisponível na maioria das substâncias ingeridas.
Tratamento:
Pelo fato de ser uma síndrome multifatorial, entende-se que o tratamento desta deve contemplar diferentes áreas, como a psicológica, nutricional, psiquiátrica e social.
Área psicológica:
Na área psicológica, a Teoria Cognitivo Comportamental tem se mostrado positiva no tratamento à síndrome de pica, auxiliando o paciente a responder de outras formas aos estímulos que lhes chegam decorrentes da ansiedade e estresse, o que permite diminuir e prevenir os rituais que levem a prática de picamalácia.
Área nutricional:
O tratamento nutricional deve ser focado na redução de danos no organismo. O nutricionista deve orientar o paciente, ensinando novas formas de reduzir sintomas indesejáveis da gravidez, de prevenir e curar a anemia ferropriva orientando a suplementação dos micronutrientes relacionados a pica.
As consequências devem ser devidamente explicadas já que afetam tanto o feto quanto a mulher.
A Faculdade CENBRAP espera que você tenha gostado aprendido um pouco mais sobre esta desordem alimentar.
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Referência:
A SÍNDROME DE PICA NA GRAVIDEZ: ASPECTOS PSICOLÓGICOS E NUTRICIONAIS - Amanda Reis dos Santos.