O sopro cardíaco é a principal causa de encaminhamento da criança ao cardiologista, mas nem sempre isso é necessário. Por isso, neste texto vamos discutir os pontos fundamentais da investigação do sopro cardíaco na criança, diferenciando sopro inocente do patológico, além de reforçar os critérios de encaminhamento desses pacientes ao cardiologista. Boa leitura!

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  • Sopro cardíaco: “O que é? O que fazer?”

   A turbulência do sangue nas câmaras cardíacas é a responsável pelo surgimento do sopro cardíaco, podendo esse ser inocente ou patológico. O sopro patológico frequentemente está associado a anormalidades estruturais e/ou funcionais da câmara cardíaca, devendo ser investigado pelo especialista. Sendo assim, cabe ao médico assistente saber identificar as características do sopro para prosseguir a investigação ou tranquilizar a família de diante de um sopro inocente.

  Falaremos sobre o passo a passo dessa investigação no tópico a seguir.

  • Passos da investigação do sopro cardíaco

1. Anamnese:

- Investigar condições associadas a doenças cardíacas: história familiar de cardiopatia congênita em parentes de primeiro grau, cardiomiopatia hipertrófica ou morte súbita em lactentes; doenças genéticas, doenças do tecido conjuntivo, infecções, diabetes gestacional, entre outros.

- Pesquisar sinais e sintomas que sugerem alterações cardíacas: intolerância aos esforços, dificuldade de ganho ponderal, cianose, dor precordial, palpitação e síncope.

2. Exame físico:

- Realizar o exame físico geral e de todos os sistemas, dando atenção especial para achados que podem ser decorrentes de doenças cardíacas como taquipneia, presença de creptos pulmonares, sibilos e hepatomegalia.

- Exame cardiovascular: realizar a inspeção torácica, palpação e, por fim, ausculta torácica. Na presença de um sopro cardíaco, determinar tempo no clico cardíaco, localização, intensidade e qualidade.

- Sopro inocente x sopro fisiológico:

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  • Conduta recomendada para o sopro cardíaco na criança

   A partir da tabela acima, podemos dizer que a criança assintomática com sopro cardíaco sistólico, de curta duração e baixa intensidade, que muda de intensidade com a posição, sem estalidos ou galope e sem irradiação provavelmente tem um sopro inocente. Nesse caso, o médico pode tranquilizar os pais e adotar uma conduta expectante (evitando a realização de exames desnecessários, além de reduzir a carga de ansiedade familiar).

   Se, por outro lado, temos uma criança sintomática e/ou com sopro cardíaco de características patológicas (conforme a tabela), o médico assistente (pediatra ou generalista da Atenção Básica) deve encaminhar o paciente ao cardiologista para melhor acompanhamento do especialista.

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Referências:

  1. Avaliação da criança com sopro cardíaco. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Departamento Científico de Cardiologia, 2018.