Transtorno bipolar de início precoce
O transtorno bipolar pode ser diagnosticado em crianças antes da puberdade, mas é um diagnóstico controverso, tendo em vista que os episódios maníacos clássicos são raros em crianças pequenas, tornando difícil confirmar o transtorno. Por isso, esses casos muitas vezes apresentam histórico familiar de transtorno bipolar.
Características gerais:
Dentre os sintomas que as crianças com transtorno bipolar de início precoce podem apresentar mudanças extremas de humor, comportamento agressivo, alta distração e pouca capacidade de manter a atenção. Desse modo, esses sintomas nem sempre seguem padrões cíclicos claros e podem ser menos responsivos aos estabilizadores de humor.
Desafios existem no diagnóstico de transtorno bipolar infantil:
Muitos sintomas do transtorno bipolar são semelhantes aos do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Por conta desse fator, as crianças com transtorno bipolar atípico frequentemente apresentam histórico de TDAH grave, o que pode dificultar a distinção entre os transtornos.
Crianças diagnosticadas com transtorno bipolar mantêm o diagnóstico na vida adulta?
Ainda não se sabe se crianças diagnosticadas com transtorno bipolar continuarão a apresentar sintomas clássicos ao longo do desenvolvimento. Todavia, algumas podem desenvolver padrões mais claros de oscilação de humor com o tempo, enquanto outras mantêm um padrão atípico.
Manifestação do transtorno bipolar se manifesta em adolescentes:
Nos adolescentes, um episódio depressivo maior geralmente antecede um episódio maníaco. Por isso, quando a mania aparece, pode incluir delírios de grandeza, alucinações e pode exigir hospitalização.
Critérios do DSM-IV-TR para episódio maníaco:
O DSM-IV-TR define um episódio maníaco como um período de humor elevado, expansivo ou irritável que dura pelo menos uma semana (ou menos, se necessitar hospitalização). Durante esse período, a criança deve apresentar pelo menos três dos seguintes sintomas:
- autoestima exagerada,
- necessidade reduzida de sono,
- discurso acelerado,
- fuga de ideias,
- distração fácil,
- aumento de atividades direcionadas a objetivos e
- envolvimento excessivo em atividades prazerosas com possíveis consequências negativas.
Sintomas para o diagnóstico do transtorno bipolar precoce:
O transtorno bipolar de início precoce se manifesta com irritabilidade intensa e persistente, frequentemente acompanhada de explosões de agressividade e comportamento violento. Entre esses episódios, as crianças podem continuar demonstrando raiva ou desânimo. Em alguns casos, podem apresentar pensamentos grandiosos ou períodos de euforia. Geralmente, essas crianças são altamente emotivas, com variações de humor, embora a tendência seja um estado negativo predominante. Por fim, os critérios do DSM-IV-TR para o diagnóstico em crianças e adolescentes são os mesmos aplicados a adultos. No entanto, o quadro clínico se torna mais complexo devido à alta frequência de transtornos psiquiátricos associados.
Ligação entre transtorno bipolar infantil e histórico familiar:
Crianças com pais bipolares têm maior risco de desenvolver transtornos do humor. Se um dos pais tem transtorno bipolar I, a chance de a criança ter um transtorno do humor é de 25%. Se ambos os pais têm o transtorno, o risco sobe para 50-75%.
Fatores neurobiológicos influenciam o transtorno bipolar infantil:
Estudos sugerem alterações em áreas do cérebro como amígdala, estriado, tálamo e córtex pré-frontal. Além disso, crianças bipolares podem apresentar dificuldades no reconhecimento de emoções faciais.
9. Quais são os principais transtornos comórbidos ao transtorno bipolar infantil?
- TDAH: presente em 60-90% dos casos, tornando o diagnóstico mais complexo.
- Transtorno de Conduta: ocorre em 48-69% dos casos e pode levar a comportamento impulsivo e agressivo.
- Transtornos de Ansiedade: comuns em crianças bipolares, podem aumentar o risco de abuso de substâncias e comportamento suicida.
Prognóstico para crianças com transtorno bipolar de início precoce:
Crianças diagnosticadas precocemente têm menor taxa de recuperação e maior risco de ciclagem rápida de humor. Nesse sentido, os estudos mostram que cerca de 70% das crianças melhoram dentro de dois anos, mas metade delas apresenta recaídas. Por fim, constata-se que os jovens com histórico de psicose, baixo nível socioeconômico e episódios de humor indefinidos têm maior risco de evolução negativa.
Referência: Sadock, Benjamin James; et al. Manual conciso de psiquiatria da infância e adolescência. Tradução: Cláudia Dornelles. Porto Alegre: Artmed, 2011.