O que mudou na forma como os médicos devem entender a insônia hoje? 

Antigamente, a insônia era vista apenas como um "sintoma" de outra doença (como depressão ou dor). Felizmente, atualmente ela é reconhecida como uma condição independente. Nesse sentido, a principal mudança é focar na insatisfação do paciente com a qualidade ou quantidade do sono.

O "sono não reparador" ainda define a insônia?

 Não, visto que atualmente, a sensação de que o sono "não descansou" (mesmo tendo dormido) é considerada uma característica de hipersonolência, e não o sintoma principal da insônia.

Devo tratar primeiro a causa básica ou a insônia? 

A visão atual defende o tratamento direto da insônia. No entanto, no passado, acreditava-se que tratar a insônia "esconderia" uma depressão, por exemplo. Hoje, os dados mostram que tratar o sono melhora o prognóstico da doença associada e traz alívio mais rápido ao paciente.

Quais são os critérios básicos para diagnosticar o Transtorno de Insônia? 

Para um diagnóstico formal, o médico deve observar:

  1. Dificuldade real: Problemas para iniciar o sono, manter o sono ou despertar precoce sem conseguir voltar a dormir.

  2. Frequência e Duração: Os sintomas devem ocorrer pelo menos 3 vezes por semana, por no mínimo 3 meses.

  3. Sofrimento: O problema causa prejuízo no trabalho, nos estudos ou na vida social.

  4. Oportunidade: O paciente deve ter dificuldade para dormir mesmo tendo condições e tempo adequados para isso.

  5. Exclusão: Não deve ser melhor explicado por outro distúrbio do sono ou efeito direto de substâncias.

O que é a Insônia Psicofisiológica? 

É o paciente que "aprendeu" a ficar alerta na hora de dormir, nesse sentido ele associa a cama ao estresse. Por isso, geralmente ele dorme melhor fora do próprio quarto (no sofá ou em hotéis) e sente uma ansiedade de desempenho (tenta "forçar" o sono, o que o mantém acordado).

  • Dica clínica: A Terapia de Controle de Estímulos é o tratamento padrão ouro aqui.

O que caracteriza a Insônia Paradoxal? 

O paciente relata que não dormiu nada, mas os exames (polissonografia) mostram um sono normal ou quase normal. Portanto, há uma dissociação entre a percepção e a realidade.

  • Abordagem: Reeducar o paciente sobre o que é o sono e usar técnicas cognitivas para reduzir a preocupação excessiva.

Como identificar a Insônia Idiopática? 

É uma dificuldade de sono vitalícia, que começa na infância, sem causa clara. Logo, acredita-se que seja um defeito neurológico no sistema sono-vigília. É de difícil tratamento e pode exigir medicação crônica.

O que é a Insônia Comportamental da Infância? 

Ocorre quando a criança depende de objetos (chupeta, brinquedo) ou da presença dos pais para dormir, ou quando os cuidadores não impõem limites claros sobre o horário de ir para a cama.

Qual a relação entre Insônia e Depressão? 

A conexão é fortíssima: 90% dos deprimidos têm insônia. Além disso, a insônia é um fator de risco para o surgimento da depressão e um sinal de alerta para o risco de suicídio. Por isso, em muitos casos tratar o sono simultaneamente com antidepressivos acelera a melhora do humor.

Como a insônia se manifesta no Transtorno Bipolar? 

Na mania, o paciente dorme pouco (2 a 4 horas), mas não se queixa disso. Porconseguinte, é vital manter a rotina de sono, pois uma única noite em claro pode desencadear um surto maníaco.

E em condições médicas como dor crônica? 

Existe um ciclo vicioso: a dor atrapalha o sono, e o sono ruim diminui o limiar de dor, fazendo o paciente sentir mais dor no dia seguinte. O tratamento deve ser feito nas duas frentes.

Quais substâncias comuns mais prejudicam o sono?

  • Álcool: Ajuda a pegar no sono rápido, mas fragmenta o sono na segunda metade da noite e causa rebote.

  • Cafeína: Tem meia-vida longa (3 a 7 horas). Portanto, mesmo consumida à tarde, pode impedir o sono profundo em pessoas sensíveis.

  • Medicamentos: Alguns antidepressivos (como fluoxetina), descongestionantes e corticoides podem causar insônia como efeito colateral.

Como diferenciar um "Dormidor Curto" de um insone? 

O Dormidor Curto precisa de menos de 5 horas de sono para ficar bem. Sendo assim, se a pessoa dorme pouco, mas se sente disposta e funciona perfeitamente durante o dia, não possui um transtorno de insônia. Portanto, é uma característica genética.