Antigamente os transtornos de preferência sexual eram intituladas “perversões sexuais”; hoje em dia, o termo foi praticamente abandonado em razão das más interpretações e do tom pejorativo que causaria a leigos.

São patologias do comportamento sexual, podendo, em algumas situações, ser danosas ao próprio indivíduo e a terceiros. Por isso, é fundamental que o médico saiba realiza o diagnóstico e o tratamento de pessoas com esse transtorno.

Definição:

É definida como a persistência de pensamentos, fantasias, comportamentos (masturbação e/ou atividade sexual) que envolvam pessoas relutantes ou incapazes de consentir, ou, caso seja consentido, deve haver risco significativo de lesão ou morte.

É válido destacar que os comportamentos parafílicos nem sempre são considerados patológicos, já que não há uma norma explícita de comportamento sexual normal, portanto, considera-se anormal o padrão sexual exclusivo e compulsivo que tem como consequência prejuízos significativos ao indivíduo e a outros.

Classificação e quadro clínico:        

Exibicionismo:

Transtorno mais comum em homens, caracterizado por prazer exclusivo em mostrar nudez corporal, em especial os órgãos genitais a estranhos, de maneira desprevenida e não consentida, com o objetivo de chocar ou surpreender o observador.

Voyeurismo

Padrão fixo de prazer sexual em observar sem consentimento, repetidamente, pessoas nuas ou despindo-se, ou praticando relação sexual.

Sadismo sexual:

O sadismo é o prazer sexual exclusivamente relacionado com produção de dor, humilhação ou qualquer outra forma de sofrimento a outrem de modo não consensual.

Masoquismo:

Atração, fantasia e/ou prática sexual com a intenção de sofrer dor e humilhação.

Fetichismo

É o prazer sexual obtido por meio do uso de objetos inanimados relacionados com o corpo (roupas íntimas, peças de vestuário etc.), com dificuldade de manter a excitação na ausência deste.

Travestismo (fetichista):

Obtenção da excitação sexual ao ter a experiência temporária de sentir-se semelhante ao sexo oposto, por meio do uso de roupas e adornos característicos deste. É muito comum no sexo masculino, e é necessário especificar se há transtorno de identidade de gênero presente.

Frotteurismo:

Consiste em tocar e esfregar-se em outra pessoa sem consentimento; geralmente ocorre em ambientes lotados (ônibus ou metrô).

Pedofilia:

É a mais comum dentre as parafilias, cuja característica é fantasias ou atividades sexuais com crianças do mesmo sexo(pederastia) ou do sexo oposto (pedofilia propriamente dita) pré-púberes, sendo as vítimas geralmente membros da família ou estranhos. O agressor deve ter no mínimo 16 anos e ser 5anos mais velho que a vítima.

Importante:

1. Uma das parafilias que causa maior aversão à sociedade, pois, para alcançar a satisfação sexual, o indivíduo pode prejudicar irreparavelmente crianças inocentes.

2. Na visão clássica psicanalítica, o pedófilo enxerga na vítima sua autoimagem quando criança e usa-a para manter sua frágil autoestima elevada e evitar a ansiedade de castração e ansiedade em decorrência da noção de envelhecimento e finitude.

3. O típico agressor é do sexo masculino; inicia essa prática na maioria das vezes na adolescência; em geral, tem facilidade para relacionar-se com crianças e, portanto, consegue facilmente trabalhar em locais onde há público infantil.

4. É referida taxa de reincidência entre 18 e 45%, e sua maior ocorrência depende do grau de violência implicado.

Diagnóstico:

É necessário diferenciar algumas parafilias de variações normais de comportamentos parafílicos sexuais que sejam consensuais. Deve sempre haver algum tipo de sofrimento implicado.

É preciso lembrar também que um comportamento sexual inadequado pode não ser resultado de uma parafilia propriamente dita, portanto, deve-se excluir outros diagnósticos psiquiátricos.

Diagnóstico diferencial:

Deve-se considerar se há esquizofrenia, episódio francamente maníaco, transtornos do desenvolvimento, quadros demenciais e estados de intoxicações por substâncias.

Tratamento

Os pacientes com esse tipo de transtorno raramente buscam tratamento espontaneamente, pois é raro estarem interessados em cessar a prática sexual, pois pode envolver brigas conjugais, ameaças de divórcio, situações legais, principalmente no caso de voyeurismo, exibicionismo e pedofilia

Na maioria das vezes, empregam-se abordagens psicodinâmicas e terapia cognitivo-comportamental, cujo objetivo é desenvolver empatia pelas vítimas, habilidades sociais e pessoais, além de evitar recaídas.

Importante: As medicações autorizadas no Brasil para as parafilias são os antidepressivos e antipsicóticos. O tratamento hospitalar é empregado quando há falha no tratamento ambulatorial, principalmente no caso da pedofilia e exibicionismo, sendo preferíveis, nesses ambientes, as abordagens de confrontação em grupo.

 

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Referência:

Manual de psiquiatria clínica- Felipe Paraventi