Como a causa exata da infertilidade masculina dificilmente é determinada, o uso de tratamentos lógicos ou efetivos afeta apenas uma pequena parcela dos pacientes.

A maior parte dos tratamentos é muito mais empírico, e se ocorre melhora dos parâmetros do espermograma, isto não necessariamente correlaciona-se com melhora em taxas de gestação.

Neste texto iremos mostrar quais são principais tratamentos usados na infertilidade masculina. Boa leitura!!

 

Tratamentos de benefício não comprovado

Está cada vez mais definido que tratamentos hormonais não possuem benefício em infertilidade masculina, com exceção dos raros casos de síndrome de Kallman ou insuficiência hipofisária.

O uso de citrato de clomifeno, tamoxifeno, vitamina E, bromocriptina ou androgênios em baixa dose são de comprovada ineficácia.

O uso de hormônio do crescimento também tem sido desapontador. O papel dos anticorpos antiespermatozóide é controverso.

Situações sem tratamento

Estas situações incluem pacientes com falha testicular primária ou adquirida. Devem ser comprovadas pela avaliação genética e a presença de espermatozoides no testículo, acessada com a biópsia de testículo.

Nestes casos devem ser consideradas as opções de reprodução assistida heteróloga (sêmen de doador) ou a adoção. A taxa de gestação com inseminação intrauterina é de 10 a 15% por mês, chegando a uma taxa cumulativa de 50% em 6 meses.

Infecção

Os pacientes com diagnóstico comprovado de infecção no trato genital devem ser tratados com antibióticos de amplo espectro de preferência guiado pelo teste de sensibilidade. No entanto, a lesão aos ductos e glândulas acessórias já pode ter ocorrido e o prognóstico de fertilidade normalmente não é alterado de maneira significativa.

Cirurgia

O tratamento cirúrgico em infertilidade, no geral, não apresenta bons resultados. A cirurgia para criptorquidia deve ser realizada o mais precocemente possível; no entanto, provavelmente promoverá pouca melhora no prognóstico de fertilidade.

O tratamento para varicocele permanece uma controvérsia. Os trabalhos prospectivos com melhores resultados normalmente incluem uma população mais jovem do que os trabalhos com resultados negativos.

Os resultados de gestação após cirurgia para reversão de vasectomia são melhores que os outros tratamentos.

Deficiência androgênica

Ainda que rara, esta é uma situação possivelmente tratável com reposição de FSH e LH ou gonadotrofina coriônica humana. Existem vários esquemas possíveis de utilização da medicação, e os resultados devem ser avaliados a longo prazo, pois o ciclo de espermatogênese dura cerca de 72 dias. Os resultados são satisfatórios em 50% dos casos.

Alterações da função sexual

Os pacientes com impotência ou disfunção erétil devem ser avaliados para condições tratáveis que possam estar presentes. São usualmente manejados com a combinação de aconselhamento psicológico, tratamento farmacológico e/ou uso de próteses.

Em casos de ejaculação retrógrada pode-se utilizar os espermatozoides presentes na urina após ajuste de pH e osmolaridade. Outra opção é o uso de aparelhos de eletroejaculação.

Reprodução assistida

As técnicas de reprodução assistida são a opção em situações em que não é definida nenhuma causa da infertilidade. Usualmente a fertilização in vitro é oferecida em casos mais severos, onde se garante um número adequado de espermatozoides para ser colocado em contato com o oócito. As taxas de gestação variam entre 17 e 27%, dependendo do grau de alteração espermática.

 

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Referência:

Infertilidade masculina - Carlos Augusto B. de Souza