1. O traumatismo cranioencefálico é um problema frequente na infância e adolescência?

Sim, visto que o TCE nessa faixa etária é um importante problema de saúde pública. Nesse sentido, a incidência anual chega a 400 casos para cada 100 mil crianças/adolescentes, sendo mais comum em meninos (relação de pelo menos 1,8:1).

 

2. Como variam as causas conforme a idade?

  • Em lactentes e crianças pequenas, cerca de metade dos casos ocorre por quedas ou maus-tratos.
  • Em adolescentes, aumentam os casos relacionados a acidentes de trânsito.

 

3. Como se classifica a gravidade do TCE em pediatria?

  • Leve: cerca de 90% dos casos.
  • Moderado: 7% a 8%.
  • Grave: 5% a 8%.

 

4. As lesões cerebrais são diferentes em crianças e adultos?

Sim, já que em crianças, há mais casos de lesões difusas e edema cerebral com hipertensão intracraniana. Já hematomas intracerebrais, subdurais ou epidurais são menos comuns que nos adultos. Portanto, lesões na substância branca frontal, orbitofrontal e dorsolateral também são mais frequentes nos pequenos.

 

5. Qual é a relação entre TCE e transtornos psiquiátricos prévios?

Estudos mostram que 33% a 52% das crianças que sofreram TCE já tinham algum transtorno psiquiátrico antes da lesão. Além disso, crianças com maior impulsividade ou comportamentos externalizantes têm risco aumentado para acidentes.

 

6. O que são “transtornos psiquiátricos novos” e “novos transtornos psiquiátricos” pós-TCE?

  • Novos transtornos (definição antiga): surgem apenas em crianças sem histórico psiquiátrico prévio.
  • Transtornos psiquiátricos “novos” (no sentido atual): incluem tanto crianças que nunca tiveram transtorno como aquelas que desenvolvem um diagnóstico diferente após o trauma.
    O único transtorno exclusivo do TCE é a mudança de personalidade devido a lesão cerebral.

 

7. Qual a frequência desses transtornos após TCE?

  • Após TCE grave: 54% a 83%.
  • Após TCE leve/moderado: 7% a 25%.
  • Em crianças com fraturas ortopédicas (sem TCE): 3% a 14%.

 

8. Quais alterações cerebrais estão ligadas ao aparecimento desses transtornos?
Lesões difusas na substância branca (lobo frontal e temporal, centro semioval, fascículos uncinados) e danos na substância cinzenta (giros frontal superior e orbital) têm forte relação com novos transtornos psiquiátricos.

 

9. Fatores não relacionados diretamente à lesão também influenciam?

Sim, tendo em vista que na história psiquiátrica prévia, nível socioeconômico, funcionamento intelectual e adaptativo antes do trauma, dinâmica familiar e histórico psiquiátrico na família são determinantes. A relação entre função familiar e agravamento de sintomas é bidirecional: a piora clínica afeta a família e vice-versa.

 

10. O TCE leve merece atenção especial?

Sim, com base em estudos recentes mostram que, nos primeiros 3 meses após o trauma, há maior frequência de transtornos psiquiátricos novos em comparação com lesões ortopédicas, mesmo após ajuste para fatores de confusão. Esse risco diminui após esse período.

 

11. Que fatores aumentam o risco de problemas psiquiátricos no TCE leve?

  • Hospitalização pelo trauma.
  • Avaliação precoce na recuperação.
  • Múltiplos TCEs prévios.
  • Presença de transtorno psiquiátrico antes do trauma.
  • Comparação com crianças sem lesões corporais (em vez de lesões não cranianas).

 

12. E quanto aos sintomas pós-concussão?
Crianças com TCE leve podem apresentar sintomas persistentes ou transitórios no primeiro ano, especialmente nos casos mais graves. Portanto, as famílias também tendem a relatar mais sobrecarga e sofrimento emocional, proporcional à intensidade dos sintomas.