Por Cenbrap em sábado, 1 de setembro de 2018
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Em fevereiro de 1952, curiosamente pelas mãos de um cirurgião (Henri Laborit), foi introduzido em humanos o primeiro antipsicótico sintético. Inaugurando um novo capítulo na história da psiquiatria, essa nova classe de fármacos foi bastante estudada e evoluiu ainda mais ao longo dos anos.
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Os antipsicóticos foram de fundamental importância para o tratamento de diversas entidades patológicas mentais, isso é fato, mas seu uso traz somente benefícios? Existem contraindicações ou efeitos adversos importantes relacionados a essas drogas? A fim de discutir essa questão, foi publicado em junho de 2018, no Jornal Oficial da Associação Mundial de Psiquiatria, um estudo que busca analisar a relação risco-benefício do uso de antipsicóticos nos tratamentos em longo prazo da esquizofrenia.
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Os antipsicóticos foram de fundamental importância para o tratamento de diversas entidades patológicas mentais, isso é fato, mas seu uso traz somente benefícios? Existem contraindicações ou efeitos adversos importantes relacionados a essas drogas? A fim de discutir essa questão, foi publicado em junho de 2018, no Jornal Oficial da Associação Mundial de Psiquiatria, um estudo que busca analisar a relação risco-benefício do uso de antipsicóticos nos tratamentos em longo prazo da esquizofrenia.
O artigo em questão discute outras oito pesquisas realizadas em diversos países, como Estados Unidos, Inglaterra, Holanda e Canadá, tendo todas elas sido realizadas de forma prospectiva, apresentando como grupo de estudo uma amostra de esquizofrênicos em uso de antipsicóticos por mais de 7 anos. O que todas elas têm em comum? Ao contrário das pesquisas de curta duração, nenhuma delas revelou resultados positivos no uso prolongado (tempo maior do que 3 anos) de antipsicóticos para o tratamento da esquizofrenia.
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Tomando por base pacientes de uma unidade hospitalar na cidade de Chicago, foram realizadas duas comparações: pacientes com prognóstico ruim que foram tratados com antipsicóticos por 15 a 20 anos e os de mesma situação que usaram antipsicóticos por um período mais curto de tempo; pacientes com bom prognóstico tratados com antipsicóticos por 15 a 20 anos e os de mesma situação que não usaram essa classe de fármacos por tanto tempo. Em ambas as comparações chegou-se a uma mesma conclusão: os pacientes que não usaram antipsicóticos por 15 a 20 anos apresentavam quadro clínico mais brando, tendo melhora significativa já nos primeiros 3 anos de tratamento.
O uso de antipsicóticos por longos períodos ainda está diretamente relacionado à psicose supersensível à dopamina, configurando o quadro da discinesia tardia. Um estudo realizado na Califórnia demonstrou que essa síndrome aumenta consideravelmente após 3 anos de uso contínuo de antipsicóticos, manifestando-se em cerca de 70% dos pacientes resistentes ao tratamento.
Por fim, outro estudo realizado em Chicago ainda investigou a evolução da capacidade laboral de pacientes esquizofrênicos em uso de antipsicóticos por até 20 anos. A pesquisa revelou que houve melhora no quadro clínico do doente durante os 4 primeiros anos de tratamento, mas que após esse tempo os pacientes apresentavam baixa performance no trabalho, dificuldade de concentração e redução da motivação.
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Mas enfim, qual a conduta mais correta a ser tomada em quadros esquizofrênicos? Até que ponto é seguro manter o uso dos antipsicóticos? Infelizmente essas respostas ainda não estão bem definidas. Por enquanto, é preciso continuar atento aos novos estudos, nunca deixando de lado o olhar cuidadoso sobre o paciente.
Referências:
Official Journal of the World Psychiatric Association (WPA).
HARROW, Martin; JOBE, Thomas H. Long-term antipsychotic treatment of schizophrenia: does it help or hurt over a 20-year period?. World Psychiatry, v. 17, n. 2, p. 162-163, 2018.
HARROW, Martin et al. A 20-year multi-followup longitudinal study assessing whether antipsychotic medications contribute to work functioning in schizophrenia. Psychiatry research, v. 256, p. 267-274, 2017.
SUZUKI, Tomotaka et al. Dopamine supersensitivity psychosis as a pivotal factor in treatment-resistant schizophrenia. Psychiatry research, v. 227, n. 2-3, p. 278-282, 2015.
TAKASE, Masayuki et al. Dopamine supersensitivity psychosis and dopamine partial agonist: a retrospective survey of failure of switching to aripiprazole in schizophrenia. Journal of Psychopharmacology, v. 29, n. 4, p. 383-389, 2015.
FROTA, LEOPOLDO H. Cinqüenta anos de medicamentos antipsicóticos em psiquiatria. J. Bras. Psiquiat, v. 50, p. 298-317, 2001.