O Diabetes Mellitus já não é uma exclusividade dos consultórios de endocrinologia. Da atenção básica às mais diversas especialidades chegam pacientes com a doença, muitas vezes inadequadamente tratados e descompensados. Por isso, neste texto vamos discutir sobre as principais indicações para o início da insulinoterapia em pacientes com Diabetes Mellitus II.  

Leia: “Tratamento farmacológico do Diabetes Mellitus: posologia, vantagens e restrições dos antidiabéticos” 

  • Evolução natural do Diabetes Mellitus II

   Diferentemente do que ocorre no Diabetes Mellitus I (DM1), a maioria dos pacientes com DM2 não tem indicação de insulinoterapia já no momento do diagnóstico.

   No entanto, devido à evolução do quadro com falência progressiva de células beta-pancreáticas, a frequência do uso da insulina aumenta progressivamente na medida em que se prolonga o tempo de doença, seja em combinação com outros hipoglicemiantes ou isoladamente.

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  • Os 2 maiores desafios para início da insulinoterapia

   Segundo a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), o início da insulinoterapia muitas vezes é protelado, mesmo já havendo indicações para tal. Esse fato é muito prejudicial ao paciente, o qual acaba exposto por mais tempo à hiperglicemia e seus danos.

   O documento ainda destaca os 2 maiores desafios para a introdução da insulinoterapia:

Desafio 1: Recusa do paciente

   Convenhamos que tomar uma ou mais injeções por dia, ainda que por via subcutânea, gera incômodos ao paciente. Além disso, muitos se negam a iniciar a insulina por aversão ao ganho de peso e risco de hipoglicemia.

   Diante disso, cabe ao médico assistente discutir com o paciente sobre a necessidade do tratamento, a fim de evitar complicações futuras.

Desafio 2: Médicos inseguros

   É isso mesmo que você leu. De acordo com a SBD, a inércia terapêutica por parte dos médicos é um dos principais motivos que retardam o início da insulinoterapia, mesmo em pacientes com indicações claras para tal.

   A insegurança para a prescrição da insulina pode ser justificada pelo fato de que muitos médicos não dominam o assunto e, não sabendo fazer a indicação correta ou temendo efeitos adversos, não indicam a insulinoterapia.

   Sendo assim, a inércia terapêutica torna-se prejudicial não apenas ao paciente que sofre as consequências da hiperglicemia por mais tempo, mas também ao médico que perde a chance de indicar o tratamento adequado, melhorar a qualidade e expectativa de vida do paciente, destacar-se no mercado de trabalho e conquistar novos clientes.

  Diante disso não restam dúvidas: independentemente da sua especialidade, dominar as indicações de insulinoterapia tornou-se fundamental! Por isso, capacite-se com o curso EAD de Diabetes Mellitus do CENBRAP. 

  • Indicações de insulinoterapia no Diabetes Mellitus II

   As indicações de insulinoterapia no DM2 apoiam-se em vários consensos e diretrizes publicados por entidades científicas e profissionais ao redor do mundo, tais como a Associação Americana de Diabetes (American Diabetes Association, ADA), a Associação Europeia para o Estudo de Diabetes (European Association for the Studyof Diabetes, EASD) e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

   Todas elas concordam que a avaliação para início da insulinoterapia deve ser individualizada, a depender de condições específicas de cada paciente. No entanto, pode-se afirmar que são indicações gerais para início da insulinoterapia em pacientes com Diabetes Mellitus II:

- Pacientes refratários à combinação: dieta + exercício físico + 3 meses de hipoglicemiantes orais combinações (metformina associado a outra classe);

- Pacientes que permanecem sintomáticos (perda de peso, poliúria e polidipsia) com hipoglicemiantes orais;

- Situações especiais: pré-operatório, infecções, doenças intercorrentes, gestação, entre outras.

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  • Considerações finais

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Referências:

Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2019-2020. SBD, 2019.