O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é quarto transtorno mental mais comum nos consultórios médicos, levando a prejuízos funcionais diversos e redução da qualidade de vida do paciente. Sendo assim, o médico que, mesmo não sendo psiquiatra, consegue diagnosticar e tratar adequadamente seu paciente com TOC certamente ganhará reconhecimento entre pacientes e valorização no mercado de trabalho. Se você tem esse objetivo, leia o texto e conheça o TOC a partir de 3 passos simples.

Por que todo médico precisa (mais do que nunca) saber Psiquiatria? 

  • 1) Definindo TOC

  Segundo Sadock (livro Compêndio da Psiquiatria), o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é representado por um grupo diverso de sintomas que incluem pensamentos intrusivos, rituais, preocupações e compulsões. Para serem consideradas como transtornos, essas obsessões ou compulsões devem causar sofrimento e disfuncionalidade importante para o paciente, tanto na esfera ocupacional, quanto social ou relacional.

   Além disso, ressalta-se que o indivíduo com TOC pode apresentar obsessão, compulsão ou ambos. Mas afinal, qual a diferença entre esses termos?

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  • 2) Obsessão x Compulsão

   Fazendo parte das manifestações mais marcantes do TOC, a obsessão e a compulsão ainda geram dúvidas conceituais. Por isso, vamos à definição dos termos:

- Obsessão: pensamento, sentimento, ideia ou sensação intrusiva, que penetra no pensamento do indivíduo contra a sua vontade racional.

- Compulsão: comportamento consciente, padronizado e recorrente, realizado na intenção de reduzir a ansiedade e o desconforto gerados pela obsessão (a tentativa nem sempre é bem sucedida e, muitas vezes, piora o quadro de sofrimento).

   Percebe-se, assim, que a obsessão é um evento mental, enquanto a compulsão é um evento comportamental. Para exemplificar:

“Inúmeras vezes ao dia, indivíduo tem o pressentimento claro de que suas mãos estão contaminadas por bactérias mortais (pensamento obsessivo) e, por isso, lava as mãos duas vezes a cada 30 minutos (comportamento compulsivo).”

  • 3) Tratando o paciente com TOC

   A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) associada a Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) constituem a primeira linha de tratamento do TOC.

  1. Terapia Cognitivo-Comportamental

   Deve ser prescrita para todos os pacientes com TOC. Ela busca agir quebrando a cadeia obsessão -> ansiedade -> compulsão -> mais ansiedade, por meio de técnicas psicoterápicas específicas (e que não são o foco dessa discussão).

  1. ISRS

   Os ISRS são a primeira linha de tratamento farmacológico do TOC grave ou leve-moderado com resposta insatisfatória à TCC. Dentre as diversas opções da classe, destacam-se a Fluoxetina, Paroxetina, Sertralina e Citalopram como drogas com resposta clínica eficaz em até 70% dos pacientes.

  1. Clomipramina

   Na falha dos ISRS, o antidepressivo tricíclico Clomipramina é recomendando também como opção terapêutica eficaz. Deve-se, no entanto, ficar atento aos possíveis efeitos adversos, como efeitos gastrointestinais e hipotensão ortostática.

   O fluxograma a seguir resume os princípios do tratamento do TOC:

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  • Considerações finais

   Como já dissemos, o TOC é o quarto transtorno mental mais comum nos consultórios médicos, por isso, capacite-se e atualize-se sobre esse tema tão importante.

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Referências:

SADOCK, B. J.; SADOCK, V. A.; RUIZ, P. Compêndio de Psiquiatria: ciência do comportamento e psiquiatria clínica. 11. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.