Neste texto nós abordaremos um assunto muito importante quando se trata de Diabetes Mellitus: a cetoacidose diabética. A importância de sabermos diagnosticar e tratar a cetoacidose diabética está no seu elevado índice de mortalidade quando ela não é tratada adequadamente.

Caso contrário, se o médico estiver preparado e a conduta do tratamento da cetoacidose diabética estiver na ponta da língua, os índices de mortalidade do paciente que apresenta esta complicação aguda do diabetes cai significativamente. Então, a Faculdade CENBRAP quer te ajudar a cuidar do seu paciente da melhor maneira possível, para isso, vamos lá:

 

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Quais são os fatores precipitantes e quais os principais sinais e sintomas do paciente que apresenta crise de cetoacidose diabética?

 

Quadros infecciosos como pneumonia, infecção do trato urinário e gastroenterite compõem quase metade dos fatores desencadeantes da cetoacidose diabética, então é imperativo a pesquisa destes fatores na história clínica. Fatores como abuso de bebidas alcoólicas, uso de doses inadequadamente baixo de insulina, gestação e algumas medicações (glicocorticoides, betabloqueadores, antipsicóticos atípicos) também compõem o quadro dos principais fatores precipitantes da cetoacidose diabética.

 

Principais sinais e sintomas:

 

- Poliúria, polidipsia ou polifagia;

- Astenia e perda ponderal, principalmente nos dias anteriores à instalação do quadro;

- Náuseas e vômitos por gastroparesia;

- Dor abdominal;

- Paciente se apresentará hipo-hidratado, taquicárdico e com respiração de Kussmaul, como resposta à acidemia;

- O hálito cetônico é característico;

- Em 10% dos casos o paciente pode se apresentar em coma, isso ocorre com elevação significativa da osmolalidade sérica > 320mOsm/Kg.

 

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Continuando nosso estudo, a cetoacidose diabética é marcada por 4 achados clínicos:

  1. Hiperglicemia;
  2. Cetonemia;
  3. Acidose metabólica com ânion-gap elevado;
  4. Distúrbios hidroeletrolíticos.

 

  1. Hiperglicemia

- A hiperglicemia é consequência do aumento da produção hepática de glicose e da diminuição relativa de sua utilização pelos tecidos, além da diminuição da excreção de glicose na urina em decorrência à deterioração da função renal. 

- Isoladamente, não serve como parâmetro de gravidade.

 

  1. Cetonemia

- Quando os níveis de insulina estão baixos ocorre uma lipólise excessiva o que libera grande quantidade de ácidos graxos livres na circulação, sendo assim, os corpos cetônicos são produzidos em larga escala.

- Principais cetoácidos produzidos na cetoacidose diabética:

*Ácido beta-hidroxibutírico

*Ácido acetoacético

*Acetona (por ser volátil, é eliminada na respiração causando o hálito cetônico)

 

- No plasma, estes cetoácidos se dissociam em cetoânios e H+.

 

  1. Acidose metabólica com ânion-gap elevado

- A acidose metabólica, consequente ao excesso de cetoácidos, é do tipo ânion-gap aumentado, devido ao acúmulo dos cetoânions, neste caso o beta-hidroxibutirato e o acetoacetato.

- No curso da cetoacidose podem também associar-se acidose metabólica do tipo ânion-gap normal (hiperclorêmica) e acidose lática por hipoperfusão tissular (que também cursa com ânion-gap aumentado).

- A acidose com ânion-gap normal ocorrerá se os cetoânions forem eliminados ou consumidos antes da correção do excesso de H+.

 

  1. Distúrbios hidroeletrolíticos

- Os eletrólitos: potássio, cloro e fosfato; são carreados para do meio intra para o meio extracelular devido a elevação da osmolaridade sérica.

- Atente-se: Situação paradoxal ocorre na cetoacidose em relação ao potássio e ao fósforo – apesar de uma grande perda urinária e grave espoliação corporal desses elementos, os seus níveis séricos mantêm-se elevados ou normais.

Situação explicada por três motivos:

  1. A depleção da insulina predispõe à saída de potássio e fosfato das células;
  2. A hiperosmolaridade extrai água e potássio das células;
  3. A acidemia promove a entrada de H+ nas células em troca da saída de potássio.

 

 

Leia: “Tratamento farmacológico do Diabetes Mellitus: posologia, vantagens e restrições dos antidiabéticos” 

 

 

 

 

Mas, afinal, qual é a diretriz diagnóstica da cetoacidose diabética?

 

Para entendermos melhor a diretriz diagnóstica, você verá a seguir um quadro da ADA (American Diabetes Association) que estratifica a gravidade da cetoacidose diabética em leve, moderada e grave.

 

 

A seguir, uma tabela com fórmulas que serão úteis para o cálculo do Ânion gap, da Osmolalidade plasmática e da Osmolalidade plasmática efetiva:

Leia: “Nefropatia diabética: compreenda o manejo correto”

 

E agora, seguimos para o último tópico – o tratamento da cetoacidose diabética – que levará em conta 3 pontos principais:

 

  1. Reposição Volêmica Vigorosa;
  2. Insulinoterapia;
  3. Reposição de Potássio e Fosfato;

 

Siga o seguinte fluxograma:

 

 

Tome nota:

 

  1. Reposição Volêmica Vigorosa

- Deve ser prontamente iniciada, pois é a medida isolada de maior impacto no tratamento da cetoacidose.

- A solução de escolha é a salina isotônica (SF a 0,9%), com um volume na primeira hora em torno de 1.000 ml.

Objetivos da reposição volêmica:

- Repor o déficit de água;

- Manter a pressão arterial;

- Reduzir os níveis de glicemia;

- Melhorar a perfusão tissular e renal, o que contribui para a reversão da acidose;

 

  1. Insulinoterapia

- A insulinoterapia só será eficaz se as medidas para restabelecimento da volemia estiverem em curso.

- O início da insulina antes da reposição volêmica pode agravar a hipovolemia e precipitar o choque hipovolêmico.

 

  1. Reposição de Potássio e Fosfato

- Apesar de a hiponatremia ser o distúrbio mais frequentemente visto no momento do diagnóstico da cetoacidose diabética, são as variações do potássio sérico que carreiam maior risco para o paciente.

- A acidose e a hiperosmolaridade elevam o nível deste eletrólito no sangue, mesmo com uma importante depleção do potássio corporal total.

 

Assim como outros temas da endocrinologia a cetoacidose diabética é um tema complicado, mas amparado pela equipe de professores mais capacitada do mercado, você se diferenciará no mercado de trabalho. Capacite-se faça a Pós-Graduação em Endocrinologia da Faculdade CENBRAP.