Muitas dúvidas podem surgir a respeito do tratamento correto da depressão e da ansiedade. Esclarecê-las aos nossos pacientes é fundamental para garantir uma boa adesão ao tratamento e garantir uma excelente relação médico paciente. Para isso, convidamos o Dr. Pedro Shiozawa, médico psiquiatra e professor da Faculdade CENBRAP, para nos responder as 10 principais dúvidas acerca do tema. 

 

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Pergunta n° 1: O uso de protocolos clínicos (guidelines) otimiza os resultados?

Dr. Pedro Shiozawa: “Sim. Antes de prescrever um antidepressivo, use os últimos guidelines e tenha certeza que o que você prescreve ao paciente está contemplado nas recomendações mais modernas e sobretudo, individualize o tratamento. Na individualização do tratamento avalie: efeito adverso, custo e eficácia clínica de acordo com o perfil do seu paciente. Sempre guie o seu tratamento baseado em um protocolo e individualize a escolha do remédio.”

 

Pergunta n° 2: Os antidepressivos são efetivos em todas as formas de depressão?

Dr. Pedro Shiozawa: “Não. Os antidepressivos são recomendados para pacientes com depressão moderada a grave. Para os pacientes com depressão leve deve ser indicado a psicoterapia.”

 

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Pergunta n° 3: Qual o objetivo do uso de antidepressivos: melhora ou remissão?

Dr. Pedro Shiozawa: “O objetivo do tratamento da depressão é a remissão. Espera-se que os sintomas desapareçam. Para isso, deve-se seguir os protocolos clínicos com este único objetivo: desaparecimento dos sintomas (remissão clínica) e garantir que o paciente não terá uma reagudização a ponto de prosseguir sua vida sem o peso dos sintomas depressivos.”

 

Pergunta n° 4: O uso de antidepressivos é eficaz na distimia?

Dr. Pedro Shiozawa: “O paciente com distimia, isto é, o paciente poliqueixoso e que possui uma redução crônica do humor, deve ser tratado com antidepressivos. Porém, o antidepressivo possui uma taxa de eficácia por volta dos 50% no tratamento do paciente com distimia. Sendo assim, também está indicado a psicoterapia uma vez que as medicações antidepressivas para este tipo de paciente podem ter bastante efeitos adversos e o tratamento exclusivamente medicamentoso pode ser prejudicial.”

 

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Pergunta n° 5: Qual o papel da psicoterapia?

Dr. Pedro Shiozawa: “Lembre-se: a psicoterapia é mandatória no tratamento da depressão e da ansiedade. Então, para estes pacientes deve ser indicado alguma forma de psicoterapia e de preferência uma que melhor se adeque ao perfil de cada um. Porém, pacientes com depressão grave, onde muitas vezes o paciente não consegue sair da cama ou tomar banho, é preferível que a medida que ele melhore seja indicado a psicoterapia onde ela terá uma maior eficácia clínica. Ou seja, psicoterapia associada a medicação tende a ter melhores resultados.”

 

Pergunta n° 6: O uso de antidepressivos se correlaciona com diminuição de suicídio?

Dr. Pedro Shiozawa: “O uso de antidepressivos é mandatório na depressão e a melhora dos sintomas depressivos se correlaciona com a diminuição do risco de suicídio. Veja o paciente de perto, acompanhe a resposta inicial do paciente ao tratamento e cuidado com a implementação das tentativas de suicídio. Vale lembrar que quase 40% dos suicídios acontecem dentro de um cenário depressivo e, portanto, podem ser prevenidos.”

 

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Pergunta n° 7: Quanto tempo demora o início da resposta clínica?

Dr. Pedro Shiozawa: “O uso do antidepressivo tende a começar a dar resultado por volta da terceira/quarta semana. Cuidado! Oriente seu paciente que dentro das duas primeiras semanas de tratamento, ele tenderá a ter apenas efeitos adversos. Efeitos gastroinstestinais e dores de cabeça serão comuns e o paciente não experimentará muitas melhoras clínicas. Alguns trabalhos, inclusive, falam que devemos esperar até 12 semanas para vermos o início da melhora clínica. Oriente o paciente, crie um bom vínculo e ratifique que os efeitos positivos serão alcançados.”

 

Pergunta n° 8: O que fazer em caso de resposta parcial sem remissão clínica?

Dr. Pedro Shiozawa: “O certo será potencializar o tratamento. Existem estratégias de potencialização do antidepressivo, como por exemplo: o uso de antipsicóticos atípicos, o uso de lítio, o uso de bupropiona e outras estratégias. Lembre-se: não se contente com os 80% de melhora, potencialize o tratamento, troque a estratégia e associe a psicoterapia para garantir a remissão clínica.”

 

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Pergunta n° 9: Quando trocamos o antidepressivo, temos mais chances de melhora?

Dr. Pedro Shiozawa: “Cuidado, o estudo STAR-D, mostrou que a medida que se troca o antidepressivo cai a chance de sucesso do tratamento. Com isso, o paciente tende a ser mais refratário as medicações. Então, o certo é garantir a melhora clínica e a adesão ao tratamento já no primeiro momento.”

 

Pergunta n° 10: Qual a dose da manutenção?

Dr. Pedro Shiozawa: “A dose de manutenção do antidepressivo é a mesma dose da remissão. Exemplo: se o paciente está tomando 300mg de Venlafaxina e 45mg Mirtazapina e houve a remissão dos sintomas, serão essas mesmas doses usadas para tratamento da manutenção. Lembrando que o primeiro episódio nós tratamos por um ano; o segundo episódio nós trataremos por dois anos e o terceiro episódio a perder de vista.”

 

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As perguntas e respostas do Dr. Pedro Shiozawa que você acabou de ler e aprender fazem parte de uma das excelentes aulas de pós-graduação que a Faculdade CENBRAP preparou para você. Não perca tempo, junte-se a nós e adquira cada vez mais conhecimento. Seus pacientes agradecem.