É a doença mais comum da tireoide com prevalência de 2% na população geral e 15% em pessoas com mais de 60 anos, sendo oito vezes mais frequente em mulheres que homens.

A principal forma de apresentação (95% dos casos) é decorrente de alterações na glândula tireoide (hipotireoidismo primário), podendo também ocorrer secundário a medicamentos (antitireoidianos, amiodarona, lítio, interferon, talidomida e rifampicina) e disfunções hipofisárias (hipotireoidismo secundário) ou hipotalâmicas (hipotireoidismo terciário).

Neste texto iremos discutir tudo que você precisa saber para manejar um paciente com hipotireoidismo. Boa leitura!

 

Diagnóstico

Em caso de suspeita de hipotireoidismo, o TSH é o primeiro exame a ser solicitado.

A conduta a seguir vai depender do resultado inicial desse TSH:

- Valores aumentados, repete-se o TSH junto com T4 livre;

- Valores normais e se o paciente apresentar sinais e sintomas clínicos compatíveis com hipotireoidismo, repete-se o TSH juntamente com T4 livre.

 

No hipotireoidismo secundário ou terciário, o TSH apresenta-se normal ou baixo, e o T4-livre ou T4 total diminuído. Nesses casos, há necessidade de avaliação de endocrinologista para seguir investigação.

 

Importante:

Se o TSH vier aumentado e o T4-livre ou T4 total diminuído, confirma-se o diagnóstico de hipotireoidismo primário e a pessoa deve iniciar tratamento com levotiroxina.

Para diagnóstico de hipotireoidismo subclínico, recomenda-se que seja feita mais uma dosagem TSH e T4-livre com 1 a 3 meses de intervalo. Na presença de TSH persistentemente acima do valor de referência e T4 (livre ou total) normal, dá se o diagnóstico de hipotireoidismo subclínico.

OBS 1.: Neste contexto a dosagem de anticorpos anti-TPO podem auxiliar na decisão terapêutica, entretanto não é fundamental. O anti-TPO não deve ser solicitado na rotina do monitoramento.

 

Sinais e sintomas:

Os sintomas mais comuns do hipotireoidismo são:

- Cansaço;

- Intolerância ao frio;

- Dispneia aos esforços

- Ganho de peso;

- Alteração da memória e do raciocínio;

- Constipação;

- Depressão;

- Irregularidade menstrual;

- Falta de libido;

- Mialgia.

Ao exame físico pode ser evidenciado:

- Ressecamento da pele;

- Movimentos e fala lentificados;

- Madarose;

- Queda de cabelo;

- Hipertensão diastólica;

- Bradicardia;

- Bócio.

 

Tratamento:

O tratamento inicial é feito com levotiroxina, tomada em jejum, 30 minutos antes do café da manhã. Para pacientes jovens, pode-se começar com dose de 1,6 µg/kg/dia (dose plena) sem necessidade de início gradual.

Em adultos, costuma-se atingir essa dose de maneira escalonada, iniciando-se com 50 µg/dia. O aumento deve ser progressivo, em intervalos de 6 a 8 semanas, até que o TSH esteja normalizado. Em pacientes idosos ou com doença cardíaca, recomenda-se iniciar com 25 µg/dia, incrementando de maneira gradual, com 12,5 a 25 µg/dia a cada 2 semanas.

 

Saiba que:

O tratamento do hipotireoidismo subclínico é controverso, porém se recomenda tratar pacientes com TSH > 10 mUI/L ou em níveis menores (acima do limite da normalidade e menor do que 10 mUi/L) se o paciente tiver anti-TPO positivo, dado a alta probabilidade de evoluir para hipotireoidismo franco.

Na presença de sintomas compatíveis com hipotireoidismo, um teste terapêutico também pode ser realizado se paciente desejar. Nesses casos, recomenda-se iniciar o tratamento com doses menores (25 a 50 µg/dia).

 

Fim.

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Referência:

Atendimento para médicos e enfermeiros - Hipotireoidismo